30 de out. de 2009

PSOL e PV

Heloisa Helena pede ao PSOL que abra negociações com Marina

Folha Online/IZ
A presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena (HH), sugeriu ao partido a abertura de negociação formal com a presidenciável Marina Silva, do PV.A proposta foi feita à comissão Executiva do PSOL, que ainda não deliberou. HH praticamente descartou a hipótese de disputar o Planalto em 2010.Disse aos demais dirigentes do partido que, inviabilizando-se o acerto com Marina, prefere que o PSOL seja representado na sucessão por outra pessoa.Citou o nome de sua preferência: o ex-deputado Milton Temer, do Rio. A outra opção da legenda é Plínio de Arruda Sampaio, ex-deputado por São Paulo.Ouvida pelo blog, HH disse que tende a comparecer às urnas como candidata ao Senado: “Quero que Alagoas tenha uma alternativa...”“...Se o meu Estado quiser ser representado por pessoas como Collor e Renan, é um direito que ele tem. Mas quero oferecer uma alternativa”.Vista como nome mais forte do PSOL para a eleição presidencial -encosta em Aécio Neves nas pequisas-, HH soa como se já tivesse descartado essa hipótese:“Eu ser candidata à Presidência da República hoje seria puro mecanismo eleitoreiro. Nada haveria de compromisso programático e ideológico”.Um pedaço do PSOL torce o nariz para a composição com Marina. A aversão é maior ao PV do que à senadora.

Amiga fraternal de Marina, HH recusa a tarefa de comparecer à campanha como opositora da candidata do PV.“Não vou para uma campanha eleitoral para fazer uma disputa ideologizada com a Marina. De jeito nenhum”.HH está bem-posta nas pesquisas eleitorais feitas m Alagoas. Figura como favorita na disputa de uma cadeira no Senado.A despeito disso, afirma que não se deixa pautar pelo favoritismo. Ela evoca a eleição presidencial de 2006. Era senadora à época.Tinha diante de si chances reais de ser reeleita. Para projetar o PSOL nacionalmente, foi à refrega presidencial sabendo que ficaria sem mandato.“Se eu fizesse política pautada pela viabilidade eleitoral, não tinha voltado para a sala de aula”, diz HH.Depois da derrota de 2006, a ex-senadora viu-se compelida a retomar o cargo de professora na Universidade Federal de Alagoas. Em 2008, elegeu-se vereadora.Se dependesse apenas da vontade de HH, o PSOL se coligaria com o PV de Marina.

“Tenho uma amizade pessoal com Marina. Somos irmãs. Compartilhamos questões familiares e preocupações políticas...”“...Ela me ligou antes mesmo de deixar o PT, para saber se eu seria candidata à Presidência”.A proposta de formação de uma comissão do PSOL para negociar com o PV foi feita por HH há cerca de um mês.Na quinta-feira (15) da semana passada, em nova reunião, ela reiterou a sugestão. Mas a Executiva do PSOL pediu tempo.Deliberou-se que o partido só tomará uma decisão final em março de 2010. Algo que, na opinião de HH, não impede que a legenda se mexa.O repórter apurou que o PV não cogita entregar ao PSOL o cargo de vice na chapa de Marina. Esse é um dos empecilhos.O outro é o fosso ideológico que separa as duas legendas. O PV adota uma política de alianças que a turma do PSOL considera demasiado elástica.Nos Estados e nos municípios, o partido de Marina participa de governos comandados pelo PSDB, pelo PT e até pelo DEM.“O problema é que, quando a gente faz uma aliança, não é com a pessoa, mas com o partido”, afirma HH.“Então, há no PSOL gente que faz uma crítica honesta e consequente e gente que se baseia na mera matemática eleitoralista...”“...São pessoas que preferem a candidatura própria [à Presidência] para ter maior viabilidade eleitoral...”“...Acham que, apoiando Marina, o PSOL não vai poder fazer aliança na maioria dos Estados, porque o PV já tem uma política ampliada de aliança”.Hoje, diz HH, “ainda não há maioria” na Executiva do partido para aprovar uma aliança com Marina. A ex-senadora sublinha o vocábulo “ainda”.E repete: “Se a opção for pela candidatura própria, defendo que o melhor nome para representar o partido é o do Milton Temer”.A Executiva nacional do PSOL volta a se reunir no início de novembro, provavelmente no dia 7.

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