11 de fev de 2013

Ahmadinejad ameaça rivais internos em aniversário da revolução

Na reta final de seu segundo mandato, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, aproveitou ontem seu último discurso de aniversário pela revolução islâmica para ameaçar rivais internos que tentam enterrá-lo politicamente.
Sem poder concorrer na eleição presidencial de junho, Ahmadinejad deixou claro que continuará lutando para conseguir emplacar a candidatura de algum aliado, apesar da pressão contrária.
"Há questões que eu gostaria de compartilhar com os iranianos, mas como não quero estragar o aniversário da revolução e, em nome do nosso querido líder supremo, farei isso numa próxima ocasião", disse, diante de milhares de pessoas reunidas na praça Azadi, em Teerã.
Ahmadinejad e seus aliados vêm deixando no ar a possibilidade de revelar segredos comprometedores contra os poderosos irmãos Larijani, que controlam o Legislativo e o Judiciário e com quem vêm trocando acusações de corrupção.
Os Larijani formam parte de um movimento que considera o clã do presidente moralmente liberal demais e indócil ao comando do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Facções ligadas a Ali Larijani, presidente do Parlamento e provável candidato no pleito, veem Ahmadinejad como ameaça às fundações do regime implementado com a revolução de 1979 e articulam manobras legais para impedir seus aliados de concorrer.
Ahmadinejad cobrou ontem que "todos os gostos e tendências devem ser representados" nas eleições de junho. Disse ainda que "quem destrói o próximo para se promover" contraria os mandamentos islâmicos.
A seu favor, o presidente tem o apoio das classes rurais e populares, beneficiadas com seus programas de assistência social, e que representam importante força de mobilização.
Dezenas de simpatizantes de Ahmadinejad interromperam ontem aos gritos, no santuário de Qom (120 km ao sul de Teerã), um discurso de Ali Larijani, que foi obrigado a fugir para não ser atingido por objetos atirados contra ele.
NEGOCIAÇÕES
Ahmadinejad também usou a fala pelo 34º aniversário da revolução islâmica para se dizer favorável a conversas diretas com os EUA, desde que o governo americano pare de pressionar Teerã.
"Tirem as armas da [nossa] cara e eu mesmo negociarei com vocês", disse a um público menor que o de 2012, num possível reflexo do feriadão que esvaziou a capital.
O discurso foi saudado várias vezes com os tradicionais gritos de "morte à América" e "morte a Israel".
A Folha constatou que boa parte dos cartazes com mensagens pró-regime ostentados na multidão, alguns em inglês, francês e espanhol, eram entregues a manifestantes por funcionários do regime.
Embora as repartições públicas incentivem servidores a levar suas famílias a eventos oficiais, a comemoração de ontem serviu para lembrar que o regime tem apoio popular. "Minha tia e eu viemos para mostrar nosso amor pela revolução islâmica", disse a estudante Goli Tiba, 17.

FONTE: FOLHA.COM

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