23 de jun de 2013

Lista de reivindicações será entregue a Bruno

Manifestantes voltaram a ocupar as ruas de Juiz de Fora ontem, em mais um ato pacífico e sem registros de violência. Por cerca de duas horas, o grupo percorreu as vias centrais, passando pela Rua Halfeld e avenidas Getúlio Vargas, Itamar Franco e Rio Branco até retornar ao Parque Halfeld, onde a ação teve início. Ao final da marcha, uma assembleia, que também durou cerca de duas horas, foi realizada para a definição de uma lista de reivindicações que as lideranças pretendem encaminhar ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB) amanhã, quando novo protesto está agendado para 14h, em frente à Câmara Municipal. Para eleger as principais demandas populares, os integrantes do movimento abriram espaço para elaboração de propostas no Facebook, sendo que os quatro temas mais indicados foram apresentados na assembleia ao ar livre. Seguindo a linha dos protestos originados em São Paulo, a partir do Movimento Passe Livre (MPL), o pedido de tarifas mais baratas, ampliação da frota de ônibus urbano e estatização dos serviços foi o que encabeçou a lista de reivindicações.
Os outros três tópicos apresentados e aprovados na reunião pública foram redução do salário do prefeito e dos vereadores, veto do Executivo às alterações na lei do uso e da ocupação do solo e retomada da construção do Hospital Regional de Urgência e Emergência, cujas obras estão paradas desde outubro do ano passado. Os manifestantes reforçaram posicionamento contrário à construção de nova sede para a Câmara Municipal, bandeira defendida pela atual Mesa Diretora, solicitaram o tombamento do edifício do Cine Excelsior, pagamento do piso nacional aos professores, passe livre estudantil e implementação do bilhete único, entre outras demandas. "Os quatro tópicos iniciais representam a pauta prioritária, mas colocaremos no documento essas outras propostas", disse uma estudantes de 22 anos que participa da comissão informal que atuou na organização do movimento.
Diferente dos atos anteriores, a marcha de ontem tinha objetivo específico e integrava a série de protestos de várias cidades, chamada de "Dia do Basta à Corrupção". O alvo das indignações era a proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita a atuação do Ministério Público e confere às polícias a exclusividade nas investigações criminais, a PEC 37. A voz das ruas pedia a retirada do dispositivo que tramita no Congresso.

Ação durante a partida do Brasil

Nem mesmo o jogo da Seleção Brasileira afastou os juiz-foranos das ruas. Apesar de a ação ter reunido menos manifestantes do que as anteriores, a estimativa de algumas lideranças é de que até duas mil pessoas tenham participado. Para a PM, o cálculo aponta que, no auge do movimento, até 800 manifestantes estiveram nas ruas. Conforme a corporação, 250 policiais atuaram nas vias. Ao todo, a mobilização durou quatro horas, entre 13h30 e 17h30.
"O objetivo de permanecer no local na hora do jogo é demonstrar que temos preocupações que vão além do futebol e que dizem respeito à política", justificou o administrador Juliano Silva, 28 anos. Um cartaz afixado nas grades da Câmara também demonstrava essa ideia, parafraseando poema de Carlos Drummond de Andrade. "No meio do caminho tinha uma Copa. No meio da Copa, achamos um caminho", dizia o texto.
Com a pauta de reivindicações aprovada, os manifestantes marcaram reunião de uma comissão que vai definir algumas lideranças do movimento e deliberar sobre a maneira como a lista de requerimentos será entregue ao chefe do Executivo. Até o momento, os organizadores do manifesto preferem não ser identificados sob a alegação de que se organizaram informalmente. Segundo eles, é provável que um porta-voz seja escolhido. Um abaixo-assinado de apoio às solicitações circulou durante a assembleia que ocorreu no Parque Halfeld e deve integrar o documento que será entregue.
Ainda que o principal pedido seja a estatização do transporte público, amanhã a Prefeitura irá publicar uma portaria oficializando a criação de uma comissão especial para agilizar a realização da licitação das empresas de ônibus urbano.

FONTE: TRIBUNA.COM

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