31 de out de 2010

Símbolo do poder do Presidente da República, a tradição da centenária faixa é cheia de lendas e boatos.


Símbolo do poder do Presidente da República, a faixa presidencial completará 100 anos quando Luiz Inácio Lula da Silva a entregar a seu sucessor. Instituída em 21 de dezembro 1910 por um decreto do presidente Hermes da Fonseca – que foi o primeiro a usá-la – a faixa recebeu ajustes e reformas ao longo dos anos.
A peça que Lula vai repassar ao próximo presidente eleito está novinha. Passou por um longo e polêmico processo de renovação. Como é confeccionada em seda, o desgaste pelo uso é natural. Desde a época de Collor, a faixa era a mesma. Para completar, não estava adequada aos moldes definidos no decreto que a criou.
Ao longo dos anos, a faixa presidencial ficou mais estreita do que o previsto. Dos 15 cm de largura definidos por decreto, ela possuía 12,5 cm. O brasão, inicialmente rico em detalhes e bordado a ouro, ficou simples. Então, o cerimonial sugeriu a confecção de outra peça. Exatamente como idealizada por Hermes da Fonseca.
O sucessor de Lula receberá uma faixa confeccionada por empresa contratada em licitação por R$ 38 mil que ainda ganhou toques de uma restauradora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela costurou com fios de ouro o brasão da República na faixa, que é feita em chamalote de seda. As franjas da faixa também possuem pequenas correntes banhadas a ouro.
Um último detalhe da faixa, no entanto, não tem sua trajetória conhecida pelos historiadores que trabalham no Palácio do Planalto. No encontro das extremidades da faixa, usa-se um imponente e broche de ouro 18k, maciço, cravejado com 21 brilhantes. No centro, a face da mulher que simboliza a liberdade na pintura de Delacroix “A liberdade guiando o povo”.
“Não se tem registros sobre quem mandou faze o broche, nem quando. Mas ele é guardado com o maior cuidado pelo cerimonial”, conta o diretor de Documentação Histórica da Presidência da República, Claudio Soares Rocha. A faixa presidencial deixa seu cofre somente uma vez por ano, no dia 7 de Setembro, quando é usada pelo presidente durante o desfile cívico-militar.
Curiosidades e lendas sobre a faixa
Há casos curiosos e histórias lendárias (que ninguém sabe confirmar se são verdades ou não) que marcam a trajetória do símbolo maior de poder presidencial no Palácio do Planalto. Confira:
- Os países latinos e africanos são os que mais propagam a tradição de uso da faixa presidencial. Nos países anglo-saxões, o uso do símbolo não vingou.
- Há quem diga que a faixa utilizada por João Goulart, antes do golpe de 1964, foi levada para o exílio por seu cunhado, Leonel Brizola. A lenda diz que ele a guardaria na esperança usá-la um dia.
- No livro “Jânio Quadros: memorial à História do Brasil”, escrito pelo neto do ex-presidente Jânio Quadros Neto e por Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, há um capítulo em que Neto conta como o avô elaborou a carta de renúncia ao cargo. Ele diz que Jânio teria escrito o texto no dia 22 de agosto de 1961 e permanecido com a faixa presidencial até o dia 26, com a esperança de que impedissem sua renúncia.
- Figueiredo não transmitiu a faixa para Sarney. Dizem que ele não reconhecia a legitimidade de sua posse. Por outro lado, há quem diga que o ex-presidente Sarney também não queria o ritual, para demonstrar a ruptura com o governo militar.
- Durante a transmissão da faixa presidencial em janeiro de 2003, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou cair os óculos ao tirar a faixa para entregá-la a Lula, que também se abaixou para pegá-los e, por pouco, não deixou cair a faixa.
- Na festa da posse presidencial de 2006, quando Lula foi reeleito, o presidente assustou os assessores do Centro de Documentação Histórica e do Cerimonial do Palácio do Planalto. Vestido com a faixa (com o broche de ouro e brilhantes), decidiu agradar ao povo que assistia à cerimônia e caminhou até a multidão. Um atento e rápido cerimonialista tratou de tirar o broche do presidente com discrição antes de ele se misturar aos espectadores.

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