21 de dez de 2010

NOEL ROSA


A cidade do Rio de Janeiro tem que se orgulhar, e muito, de ter sido o local onde o samba se consolidou - sem querer entrar nas polêmicas acerca da naturalidade real do gênero -, e onde temos o maior numero de sambistas, compositores, músicos... Enfim, a capital do samba é a nossa Cidade Maravilhosa.
E neste Dezembro, comemoramos o Dia Nacional do Samba. A data, inventada por um vereador de Salvador na década de 40, é fruto de um fato curioso. O parlamentar quis homenagear o mineiro Ari Barroso dando ao Dia do Samba a data em que o compositor mineiro, que muito bem cantou a Bahia, pisou pela primeira vez em solo baiano.
Aqui no Rio, a data é comemorada principalmente por um grandioso evento. Trata-se do Pagode do Trem que sai da Central do Brasil rumo a Oswaldo Cruz com os vagões dos trens lotados de sambistas cantando até a estação da escola de coração de Paulo da Portela, que nos anos 30 já fazia dos vagões dos trens um lugar para tocar samba e se esconder da repressão que o gênero sofria nesta época. Desde 1998, o Pagode do Trem faz parte do calendário oficial da cidade através de uma lei de minha autoria.
Mas, neste ano de 2010, o mês de dezembro tem uma importância muito maior para a cidade do que apenas o Dia Nacional do Samba. Em dezembro de 1910 nasceu, em Vila Isabel, Noel Rosa. Um gênio que em apenas 26 anos e 4 meses de vida deixou um legado de mais de 200 obras de excelente qualidade. Poucos são os compositores que conseguiram juntar tanta qualidade em grande quantidade, e Noel foi um deles. Sua marca principal era fazer crônicas cheias de humor, denunciando e ironizando mazelas e costumes, principalmente da nossa cidade. Sabia também falar de amor, e das desilusões que sofreu ao longo da curta vida. Clássicos como "Pra que Mentir" e " Ultimo Desejo" são exemplos de sua conturbada vida amorosa, que pode ter rendido a ele muita dor, mas por outro lado quem ganhou foi a música brasileira com músicas maravilhosas.
Foi um dos grandes boêmios da cidade nos anos 30. Vagava pelos bares juntando histórias e fazendo sambas em parceria com outros grandes sambistas. Fez músicas com Ari Barroso, Cartola, Braguinha, Ismael Silva, Bide, Orestes Barbosa, Wilson Batista, Vadico - seu maior parceiro que completaria 100 anos em junho deste ano-, entre vários outros.
Noel foi também um dos pioneiros a fazer um elo entre a, já naquela época, "cidade partida". Vindo de uma família de classe média - chegou até a estudar Medicina-, Noel fez grandes amizades nos morros cariocas, principalmente na Mangueira onde morava um de seus melhores amigos, e parceiro, Cartola. Subia com frequência o morro, e adorava o subúrbio da cidade. Era apaixonado pela sua Vila Isabel, onde nasceu e viveu praticamente toda a sua vida, porém, foi a Penha o bairro mais cantado em sua obra.
Mas o que mais chama atenção na obra desse gênio é mesmo a forma cômica com que narrou a vida cotidiana, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, e como denunciou problemas sociais como a fome, a corrupção, o machismo...
Certamente em seu centenário, Noel Rosa ficaria muito mais feliz se em cada esquina houvesse um violão, pandeiro ou cavaquinho do que uma guitarra gigante.

Eliomar Coelho é engenheiro e vereador no Rio de Janeiro pelo PSol

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