28 de dez de 2013

Setorial de Mulheres do PSOL-PE repudia declarações do secretário Wilson Damázio, denunciado pelos movimentos sociais do Estado

Militantes exigem medidas contra a postura do secretário, contra o preconceito institucionalizado e contra o tratamento que vem sendo dado pela segurança pública aos casos de violência sexual e os crimes cometidos no interior da própria polícia contra meninas e mulheres
 
Em repúdio às declarações do secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, sobre casos de violência sexual cometidos por policiais militares, o Setorial de Mulheres do PSOL de Pernambuco lançou nesta sexta-feira (20) a nota, que pode ser lida abaixo.
 
Nota de repúdio do Setorial de Mulheres do PSOL-PE contra as declarações do Secretário de Defesa Social do Governo de Pernambuco
O setorial de Mulheres do PSOL-PE, através dessa nota, repudia as declarações de Wilson Damázio, o tratamento dados aos casos de abuso e violência sexual no Estado de Pernambuco e os crimes de violência sexual cometidos pela polícia, exigindo um outro modelo de segurança pública, baseado no respeito aos direitos de crianças, adolescentes, mulheres, LGBTs, em particular, das(os) que vivem nas comunidades pobres, que cotidianamente têm seus direitos violados pelo próprio Governo, através da perpetuação da violência.
As palavras do secretário, os atos dos policiais envolvidos em crimes contra as comunidades pobres e a naturalização e impunidade desses casos revelam toda discriminação direta e indireta contra determinados setores e o preconceito de gênero, raça, orientação sexual e classe arraigados em nossa sociedade e no sistema de segurança pública, que atua contra negras(os), pobres, prostitutas, homossexuais, trabalhadoras(es) e movimentos sociais.
Um paralelo importante feito pela Jornalista Fabiana Moraes, em alusão aos 80 anos de publicação da Obra Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freyre só revela que patriarcado brasileiro permanece e se atualiza. Longe de ter sido superado, arrasta-se desde o período colonial, quando a expansão numérica do povoamento brasileiro praticamente se deu pela dominação e arbitrariedade masculina no uso da violência sexual contra as negras e índias.
O estupro colonial, violência perpetrada pelos senhores brancos contra índias e negras, permanece na violência sexual cometida por policiais a uma mulher de 28 anos que foi prestar queixas e buscar ajuda na delegacia e quando é aceita e naturalizada, por se tratar provavelmente de uma prostituta. Permanece quando o secretário de Defesa Social diz “aqui tem muitos problemas, com mulheres, principalmente. Elas às vezes até se acham porque estão com policial. O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda”. Quando ele reproduz em seu discurso e a polícia em suas ações o machismo, o ódio de classe e o racismo ao empregar meninas na SDS para trabalharem na limpeza da secretaria, perpetuando a lógica da senzala. Damázio também reproduz toda a homofobia institucional ao comparar o desvio de conduta da polícia com a livre orientação sexual, senão vejamos: “desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia, né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”
Diante da situação, nos somamos ao coro daquelas(es) que exigem medidas reais contra a postura do Secretário Wilson Damázio, contra o preconceito institucionalizado e contra o tratamento que vem sendo dado pela segurança pública aos casos de violência sexual e os crimes cometidos no interior da própria polícia contra meninas e mulheres.
 
Setorial de Mulheres do PSOL Pernambuco

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