24 de fev de 2010

“A intervenção é a forma de acabar com a roubalheira”, afirma Toninho do PSOL –DF, após renúncia de Paulo Octávio .

Qua, 24 de Fevereiro de 2010 18:14

O governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio, renunciou ontem (terça-feira, 23 de fevereiro) ao cargo e também se desfiliou do seu partido (DEM). Desde então assumiu a direção do DF o deputado Wilson Lima (PR), presidente da Câmara Legislativa e aliado do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido). Paulo Octávio estava à frente do executivo do estado desde o dia 11 de fevereiro, quando, por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Arruda foi preso acusado de atrapalhar as investigações do esquema de arrecadação e pagamento de propina no DF, que envolve integrantes do executivo e da Assembleia Legislativa, inclusive ele e Paulo Octávio.
De acordo com Toninho, presidente do diretório do PSOL no Distrito Federal, a linha adotada pelo partido é a de que não basta só a prisão de Arruda. “Ele é apenas o chefe do esquema. Toda a rede que assaltou os cofres públicos e que está presente no executivo e no legislativo, tem que ter o mesmo tratamento”, afirma. Ele ressalta que as imagens gravadas e divulgadas evidenciam o crime e provam que ele era praticado de forma planejada. “A demora em se ter a decisão da justiça não faz sentido, já há muitos elementos para que se possa agir imediatamente contra essa corrupção”, diz. Toninho lembra que Arruda está preso por atrapalhar as investigações e não por ter sido flagrado roubando.
Na carta de renúncia, que foi lida na Câmara Distrital no final da tarde, Paulo Octávio afirmou que decidiu deixar o cargo por não ter apoio político suficiente para se sustentar no comando de Brasília.
Após a renúncia, O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que esse foi mais um sinal da falência das instituições no Distrito Federal e que a intervenção é a única solução, ou seja, a indicação de um interventor pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a aprovação do Congresso, para governar o DF. A Procuradoria-Geral da República pediu a intervenção federal ao STF no mesmo dia da prisão de Arruda.
Toninho afirma que o PSOL apoia a intervenção no DF. “É a forma de acabar com a roubalheira, tirar todos os corruptos dos postos chaves. No futuro, não importa se a decisão for pela realização de novas eleições ou pelo cumprimento do calendário eleitoral, o importante é que os poderes executivo e legislativo do Distrito Federal estejam saneados”, defende ele.
O presidente do diretório lembra ainda que assim que o escândalo de corrupção no DF eclodiu, o PSOL foi o primeiro a pedir o Impeachment de Arruda. “Entretanto a Câmara Legislativa local negou, afirmando que um partido político não estava apto a isso, segundo as regras”, explica. A estratégia então foi partir para a mobilização dos militantes, da população e dos movimentos sociais que resultou na ocupação da Câmara Legislativa, vigília em frente às casas dos deputados envolvidos, manifestações no Palácio do Buriti e no STF, entre outros. “Apesar de haver um revolta muito grande, as pessoas não têm se envolvido muito nas atividades e é muito importante que haja um comprometimento. Nossa tarefa e continuar a motivá-las”, garante Toninho.

Habeas Corpus

Amanhã (quinta-feira, 25 de fevereiro) ocorrerá o julgamento pelo STF do pedido de liberdade de Arruda. Se houver a concessão, ele voltará a exercer o cargo de governador.
A militância do PSOL ficará de vigília desde o meio da tarde, em frente ao Supremo Tribunal Federal, para exigir a permanência na prisão de Arruda e de outras cinco pessoas que foram detidas no mesmo dia em que ele, acusadas de envolvimento no mesmo esquema.

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