16 de dez de 2012

PT

O Partido dos Trabalhadores que não trabalham


Imagem: facebook.com


Normalmente sou contra comentar política, mas li recentemente no jornal da cidade onde moro uma notícia que chamou minha atenção e acrescentou mais decepção e indignação na minha percepção sobre o Partido dos Trabalhadores. A reportagem, que está no primeiro link ao final desta postagem, mostra que dos candidatos à prefeitura de Juiz de Fora, a candidata do PT foi a única a gastar acima do que arrecadou (arrecadou 1,49 milhão e gastou 4,8 milhões). Gastou mais do que o dobro do dinheiro que tinha disponível. A dívida será assumida pelo PT, que tem os cofres de Brasília à disposição para pagar as contas dos candidatos derrotados. A mesma reportagem afirma que os candidatos dos outros partidos que concorreram à prefeitura de Juiz de Fora fizeram o óbvio e gastaram menos do que arrecadaram, não arrumando dívidas para serem administradas por seus partidos. A reportagem mostra que em Minas Gerais o PT teve candidatos concorrendo nas 10 cidades com maiores eleitorados e que, em 7 de 10 cidades, os candidatos do PT gastaram mais dinheiro do que tinham disponível e ficaram devendo. Acredito que também nesses casos o partido vai assumir a conta da falta de noção e competência para gastar dinheiro em campanhas políticas.



Me vieram à mente dois questionamentos:

1 - Se os candidatos do PT não conseguem administrar bem nem o dinheiro de seus pequenos comitês eleitorais, o que não farão com os cofres das prefeituras quando assumem.

2 - O PT só é contra gasto de dinheiro quando está na oposição? Quando está à frente do governo, não mede despesas para se manter no poder, gastando tudo o que tem e o que não tem. O PT não era o partido dos trabalhadores pobres para o povo? Onde foram parar as críticas dos candidatos petistas que escutei durante anos nas campanhas (quando o PT era um pequeno partido sem recursos e de oposição) que o dinheiro de campanhas políticas seria melhor gasto pelos políticos da situação em melhorias para hospitais e escolas, e que as ideias e não a propaganda é que deveriam decidir votações?

É a mesma dinâmica do Lula que criticava Fernando Henrique Cardoso por viajar muito e fazer turismo internacional com dinheiro público, mas quando este trabalhador que parou de trabalhar por falta do dedo mínimo da mão direita (algo que inquestionavelmente não incapacita uma pessoa para o trabalho!) foi eleito, não só fez um número maior de viagens para o exterior do que Fernando Henrique, como seu governo ainda comprou um novo avião presidencial, mais caro e luxuoso, para fazer suas viagens à custa do Imposto de Renda e ficar contando suas piadinhas desnecessárias em encontros internacionais, onde não fez acordos vantajosos para o país.


Imagem: uhull.com.br


Acompanhei e apoiei por anos a trajetória do PT como um partido político com propostas e características populares, e me sinto decepcionado e traído pelo modo com os petistas corromperam seus ideais e, consequentemente, tornaram-se corruptos.

Na primeira vez que o Lula se candidatou à presidência da República em 2002, votei nele porque acreditava que seria um governante de perfil popular e, mesmo que cometesse erros, ao menos seriam erros diferentes.

Além do despreparo para governar (que eu já esperava) fiquei decepcionado com a hipocrisia e inércia de Lula e do PT. Por décadas os petistas lutaram para chegar ao poder e, quando finalmente conseguiram, se especializaram em fazer de tudo para manter-se nele, acendendo uma vela para Deus e outra para o Diabo, tentando agradar a todos para garantir reeleições. Entre provas de corrupção e ineficiência, alguns partidários com mais caráter e coerência abandonaram o PT ou foram expulsos do partido. Com o início das mordomias terminou o tempo das ideologias! A nova luta do PT é para garantir governos no maior número possível de estados e municípios, apoiado por uma horda de fanáticos cegos, que não admitem ou justificam os mais notórios e comprovados casos de traição aos ideais populares da origem do partido, subornos, desvios de dinheiro e incompetência.



Imagem: juniao.com.br

No primeiro governo do Lula, ele teve um enorme apoio popular e do Congresso, provavelmente o maior que um presidente do Brasil já pôde contar. Naquele momento pareceu-me que praticamente todos estavam encantados e favoráveis a mudanças e às propostas do PT. Lula e o PT tiveram a oportunidade, mas não a vontade! Nada propuseram ou fizeram, preferindo nada fazer para não desagradar ninguém e conquistar aliados políticos. O Brasil perdeu uma oportunidade singular de mudar para melhor, resolvendo ou diminuindo velhos problemas que até hoje continuam sem solução. Lula continuou a fazer o que mais fez na vida: falou muito e trabalhou pouco! Entre discursos e piadinhas quase diárias, não sobrou tempo para reuniões sérias, traçar estratégias e acompanhar resultados para resolver problemas nacionais.

O presidente "pop star" do PT, entre suas muitas e confortáveis viagens pelo exterior, quase sempre acompanhado de numerosa e desnecessária assessoria (pagos pelos cofres públicos), para encontros improdutivos e declarações às vezes vergonhosamente ignorantes e superficiais, permitiu, com muita simpatia e justificativas inconsistentes, que o país amargasse calotes dos vizinhos bolivianos, equatorianos e paraguaios, administrando o Brasil como quem gerencia um pequeno boteco próprio. Como nação perdemos dinheiro, contratos, patrimônio e importância política internacional por conta da atitude passiva e despreparada do PT.
A cada reportagem com provas de corrupção e incompetência em seus governos, Lula se limitava sempre a declarar que não sabia de nada, como se ter um presidente incompetente fosse menos prejudicial ao país do que ter um presidente desonesto. A lógica pueril e limitada do Lula que recebeu diversas homenagens e diplomas de universidades pelos resultados “superiores” de suas ações e teorias parece ser a de que se não souber de nada, ele não pode ser responsabilizado e não precisa tomar nenhuma atitude que possa gerar inimizades que dificultem sua perpetuação e a do PT no poder. Se Lula não foi desonesto, foi conivente com a desonestidade do PT durante seu governo. É bom e desejável um chefe que não percebe as deficiências daquilo que está sob sua responsabilidade e, quando é informado sobre elas, protela ao máximo as atitudes para corrigi-las?


Imagem: diogosalles.com.br

PT : Partido dos Traidores

Alguns partidos têm origem e propostas não bem definidas. Não é o caso do PT, que surgiu como um partido popular que defendia melhorias para os trabalhadores e pobres. Na minha opinião, por este motivo, fica mais evidente a traição às suas propostas iniciais, pois quando chegaram ao poder, os petistas passaram a fazer o que sempre criticaram e pior na falta de criatividade e inteligência usam as mesmas justificativas que desaprovavam em seus antigos adversários.

Foram diversas as ocasiões em que Lula hipocritamente afirmou não conhecer algumas pessoas envolvidas em desvio de dinheiro, fraudes em contratos e outras ações desonestas, mesmo quando a imprensa mostrava o óbvio da mentira com fotos e cópias de documentos que confirmavam o contato entre ele e as pessoas que afirmava não conhecer. O Lula que afirmou publicamente por diversas vezes sobre a falta de caráter de certos políticos e práticas, quando eleito presidente da República, em seu primeiro mandato os abraçou com moderada simpatia e no segundo mandato já defendeu as pessoas e ações que tanto criticava, sem memória e pudores.

Imagem: welbi.blogspot.com

Se as ditaduras de direita causam repúdio aos petistas, as mortes e torturas causadas pelos ditadores de esquerda como Fidel Castro e Hugo Chávez não têm problemas, uma vez que Lula realizou visitas a ambos, repletas de abraços e trocas de gentilezas, inclusive com declarado apoio político em certas ocasiões. Em 2011 o PT tentou aprovar lei que diminuía a liberdade de imprensa, que insistentemente denunciava corrupção, desvio de dinheiro e tráfico de influência nos governos do presidente Lula. A demagogia ficou acima da democracia na legenda do PT!


Imagem: condominiodeideias.blogspot.com


Se o alienado acadêmico Fernando Henrique Cardoso prejudicou a educação brasileira ao inviabilizar a reprovação de alunos ineficientes ou desinteressados para manter boas estatísticas com a ONU, o pseudotrabalhador Lula prejudicou o trabalho instituindo todo tipo de “bolsa coitadinho” e “bolsa vagabundagem” para garantir público eleitoral. Entre comprovados casos de corrupção e incompetência na destinação e controle do dinheiro dessas bolsas, não foram poucas as empregadas domésticas (e imagino outras categorias) que vi pedindo demissão porque, feitas as contas, compensava mais ficar desempregada às custas da classe média e rica que financiavam bolsa escola, bolsa gás e bolsa energia elétrica. É o Partido dos Trabalhadores incentivando ao não trabalho (sustentado pelo governo), talvez inspirado na “carreira profissional” de sua estrela maior: Lula.

O PT transmite uma clara ideia: não é necessário trabalhar, basta votar em nós e te sustentaremos! De forma proposital ou equivocada a política do PT para os pobres através de suas bolsas é a de concessão de esmolas, não dignidade. Cria um pacto de dependência e inércia entre população e governo. Outros partidos podem querer não sustentar quem não quer trabalhar (e educar), então mantenha-se o PT no poder, numa clara ideologia das necessidades pessoais acima dos benefícios coletivos. Política com “P” maiúsculo é a ação para atender interesses coletivos com resultados duradouros! Quando acabarem todas essas bolsas, qual será a mudança na vida daqueles que dependem delas e as perspectivas desses beneficiados a médio e longo prazo? Muitos realmente não se importam de passar toda a vida com o título eleitoral em uma das mãos enquanto a outra está estendida aguardando a melhor oferta!


Imagem: blogs.estadao.com.br

Dilma Roussef parece ser uma pessoa coerente entre seu discurso e prática, focada e empenhada em atingir os objetivos a que se propõe, mas isso não muda o fato de que o PT precisa de uma grande reforma em sua ideologia, prática e atuais integrantes para fazer uma política popular e não populista, como faz atualmente, com a troca de "favores ao povo" pelo apoio à estrela do PT.
Os fatos falam mais alto do que a demagogia: o PT se tornou o partido dos trabalhadores que não querem trabalhar, dos intelectuais que não conseguem atualizar suas ideias e dos pobres que querem gastar mais do que tem.

Texto: Sylvio Bazote
 


 
 
 
 
                                                                                                                                                                                            

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