30 de dez. de 2012

UM GRANDE 2013 PARA TODOS!!!


ESTAREMOS DE FÉRIAS ATÉ O DIA 06/01/2013.


"É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles."
Vladimir Ilitch Lenin

ATÉ QUANDO???

Parceria para reabrir museu

Depois de longa espera, as esperanças para a reabertura do Museu Mariano Procópio recaem sobre uma possível parceria entre a UFJF e a Prefeitura Municipal de Juiz de Fora. Dos cerca de R$ 28 milhões necessários à conclusão das obras do conjunto, em entrevista exclusiva à Tribuna na última semana, o reitor Henrique Duque mostrou disposição para captar R$ 15 milhões, ficando o restante sob responsabilidade do município. "O Bruno (Siqueira) está querendo uma ajuda no museu. Disse a ele que acho que consigo uma parte do dinheiro. A reabertura vai expandir e estimular os projetos de pesquisa de cursos, como os de história e turismo. Mas afirmei que a manutenção continuaria a cargo da Prefeitura. Ficamos de sentar no início do ano para ver como podemos caminhar juntos", assegurou o reitor Henrique Duque. "Toda a sociedade com a UFJF vai ser buscada, avaliada e tratada em todos os setores, não só na cultura. E, com certeza, vai ser estimulada na nova gestão", promete o prefeito eleito, Bruno Siqueira, por meio de sua assessoria, acrescentando que prefere aguardar sua posse para tecer qualquer comentário sobre o assunto.
De acordo com o atual diretor-superintendente do Museu, Douglas Fasolato, as conversas ainda são superficiais, mas a ideia é que a iniciativa envolva os governos estadual e federal. "A proposta é que venha a ser algo a exemplo do que existe na França, onde os museus não são federais, mas recebem recursos do governo pela sua importância." Ele salienta que o montante necessário seria utilizado na requalificação total dos dois terços do parque que ainda estão fechados, dos dois prédios históricos, do acervo e da ampliação das áreas administrativa e de exposição temporária. Porém, a reabertura pode ser antecipada mediante execução de obras emergenciais e de segurança do imóvel. "Temos um projeto global, mas isso não é impedimento para sua realização em etapas. Podemos até mesmo promover o restauro visitável. É uma forma de a população compreender a complexidade de uma obra de restauro e, com isso, se conscientizar", diz o diretor-superintendente.
O pedido de tombamento federal dos jardins e do prédio do museu que se arrasta desde 2010, segundo Fasolato, também é capaz de ser definido nos próximos meses. "Em reunião, no último dia 12, a presidente do Iphan Jurema Machado se mostrou sensível à causa e disse acreditar que o projeto seja votado logo", conta Fasolato, ressaltando que o acervo da instituição foi tombado em 1939 em âmbito federal.
Prestes a encerrar a gestão, o diretor-superintendente arrisca alguns planos a serem discutidos para o futuro, como o funcionamento de um curso ligado ao patrimônio em conjunto com a UFJF. "Queremos estimular formação de mão de obra." Ainda nos próximos meses, será lançada a primeira edição dos "Anais do Museu". O diretor realça os empréstimos de obras a outros países e destaca o que está à espera do seu sucessor. "O museu está sendo visto, está no dia a dia das pessoas. Mesmo na atual condição, tem contribuído para divulgar a cidade. O maior desafio é continuar realizando as obras com o máximo de rigor técnico, pensando no espaço, sobretudo, voltado à preservação. É preciso responsabilidade. Acredito que seja um dos poucos elementos da cidade capazes de gerar benefícios para além das fronteiras do município", afirma. "Mas é necessário continuar atento à relação da instituição com o público para que ela deixe de ser sacralizada. Só nos primeiros 11 meses deste ano, 200 mil pessoas passaram pelo parque. É um número significativo. Tenho certeza de que as ações educativas, culturais e científicas serão mantidas pela próxima gestão."
Reportagens publicadas pela Tribuna ao longo do ano mostraram que a expectativa para o Museu Mariano Procópio em 2012 girava em torno da liberação de verbas provenientes de emendas parlamentares, propostas pelos deputados federais Marcus Pestana (R$ 500 mil) e o também prefeito eleito da cidade, Bruno Siqueira (R$ 237 mil). Entre outras alternativas para a reabertura da instituição, cogitou-se a federalização do espaço, o que, segundo Fasolato, está descartada.
O parque foi fechado em setembro de 2006, tendo um terço reaberto no segundo semestre de 2008. Neste mesmo ano, em janeiro, o prédio do Museu Mariano Procópio, por apresentar trincas e fissuras, também foi trancado. Devido a vazamento de água em vários cômodos e queda de estuques, após forte chuva, a Villa Ferreira Lage teve suas portas cerradas em março de 2008.

FONTE: TRIBUNA DE MINAS.COM

Ex-coordenador da Funai vai falar sobre índios mortos na ditadura

Ex-coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) na Amazônia, o indigenista José Porfírio Fontenele de Carvalho, 65, vai falar à Comissão da Verdade sobre as mortes de índios no período da ditadura militar. Ele foi testemunha do desaparecimento dos índios waimiri-atroari durante a construção da BR-174.
Alberto César Araújo/Folhapress
José Porfírio Carvalho, que vai falar à Comissão da Verdade
José Porfírio Carvalho, que vai falar à Comissão da Verdade

 
Nasci em Granja, no Ceará. Aos 19 anos, durante a ditadura, fui para Brasília estudar contabilidade na UnB.
Tive vários conflitos com os militares. Aquilo foi me chateando. Surgiu um concurso de auditor contábil no Serviço de Proteção do Índio, antes de a Funai ser fundada, em 1967. Fui o primeiro colocado.
Em Rondônia, conheci o sertanista Francisco Meirelles. Apareceu um índio nu, com arco e flecha na mão, foi a primeira vez que vi um índio na vida. De noite, pensei: esse povo precisa da minha ajuda. Larguei tudo para trabalhar com os índios. Me especializei nos bravos e valentes.
Quando cheguei a Manaus, encontrei o sertanista Gilberto Pinto Figueiredo Costa, ele tinha uns 30 anos. Éramos subordinados aos generais.
Nosso contato com os índios waimiri-atroari era para montar postos de defesa. Eles não queriam fazer amizade. Começamos a fazer trocas de presentes: flecha por facão, panela de barro por alumínio.
Em outubro de 1968, os militares contrataram o padre italiano Giovanni Calleri com a missão de amansar os waimiri-atroari para abrir a picada da estrada BR-174. O padre chegou à aldeia atirando de fuzil. Eram 11 pessoas, dez morreram flechadas.
Os militares diziam que boicotávamos a obra. Fiquei preso uma semana. Houve outro massacre em outubro de 1974, morreram mais seis pessoas da nossa equipe.
Fomos procurar o general Gentil Nogueira Paes, comandante do 2º Grupamento de Engenharia e Construção do Exército. Pedimos para parar a estrada. Ele disse: "Vou construir, mesmo que tenha que matar esses índios assassinos. Dei ordem para meter fogo". Saímos da reunião chorando, os índios não sabiam o que era estrada.
Em 21 de dezembro de 1974, o Gilberto recebeu aposentadoria à revelia. Fui transferido para Altamira [no Pará].
Naquele mês vim para Manaus me casar. O Gilberto era o padrinho. Após chamado dos índios, ele deixou o casamento e foi encontrá-los. No dia seguinte, estava morto.
A versão dos militares é que encontraram o Gilberto morto. Não vimos o corpo porque o caixão foi lacrado. Não sabemos se ele morreu flechado ou a tiro.
Quero que a Comissão da Verdade investigue o que aconteceu com o Gilberto.
Quando retornei a Manaus, em 1987, encontrei 375 índios na reserva [antes havia 1.500].
Eles disseram que houve ataques dos soldados. Prefiro que a Comissão apure, sem fazer alarde, e identifique como foram os métodos das mortes dos waimiri-atroari.

FONTE: FOLHA.COM

27 de dez. de 2012

'Cota não resolve problema da educação. Ela cria ilusão'

A estudiosa afirma que, apesar da propaganda acerca da reserva de vagas, a esmagadora maioria dos jovens seguirá sem lugar na universidade pública

 
Eunice Durham, professora de antropologia da USP
Eunice Durham, professora de antropologia da USP (Carol Carquejeiro)
 
Em agosto, a presidente Dilma Rousseff assinou a chamada lei das cotas, que reserva 50% das vagas de universidades federais a estudantes oriundos de escolas públicas de ensino médio. Nesta semana, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançou um programa de inclusão social para as três universidades públicas paulistas, USP, Unicamp e Unesp – apontadas nos rankings internacionais como centros de excelência em pesquisa no Brasil. "Embora a proposta pareça um pouco melhor do que a lei federal, está longe de ser a solução", diz a antropóloga Eunice Durham.
Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação, membro do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP e estudiosa do ensino superior, Eunice acusa a nova proposta de carregar o mesmo discurso e enganos revelados em 2002, quando foi adotada pela primeira vez no país o mecanismo de reserva de vagas (por raça, então), na UFRJ. "Tanto as cotas raciais como as cotas sociais são remendos demagógicos", diz. "Existe uma grande desigualdade educacional entre pobres e ricos, negros e brancos. Mas a questão é que isso está sendo combatido no lugar errado. Querem consertar as desigualdades do Brasil na porta da universidade, sendo que o problema se origina na educação básica."
Para quem acha que a posição é ideológica, a professora oferece números. "Mesmo com toda essa propaganda de que a universidade agora está de portas abertas para os alunos da rede pública, 95% da população jovem vai seguir fora da universidade pública." Mais efetivo e justo, defende a antropóloga, seria a criação e manutenção, pelas universidades públicas, de cursos pré-vestibulares que preparassem os estudantes da rede pública para o ingresso no vestibular. "Desde que a universidade chegou ao Brasil, as famílias ricas recorrem a esse tipo de aulas adicionais para garantir que seus filhos tenham o conhecimento necessário para passar no vestibular. Por que não oferecer a mesma oportunidade para os pobres?", indaga a estudiosa. Confira a seguir trechos da entrevista que ela concedeu ao site de VEJA.Como docente da USP e membro da comunidade acadêmica, como a senhora recebeu a notícia de que a universidade deve aderir ao programa de cotas do estado? Embora pareça um pouco melhor do que a lei federal, a proposta do governo estadual está longe de ser a solução. A ideia pode até ser aproveitada, mas precisa ser melhor analisada. Não podemos implementar um plano assim, sem testar outras alternativas.
Quais os problemas das políticas de cotas? Tanto as cotas raciais como as cotas sociais são remendos demagógicos. Entendo que os problemas que elas visam combater são reais. De fato, existe uma grande desigualdade educacional entre pobres e ricos, negros e brancos. Mas a questão é que isso está sendo combatido no lugar errado. Querem consertar as desigualdades do Brasil na porta da universidade, sendo que o problema se origina na educação básica. Não é o vestibular que discrimina. O vestibular é talvez o mecanismo mais justo de seleção. Só passa quem tem capacidade de passar, não há beneficiados. O filho do senador e o filho da doméstica fazem exatamente a mesma prova. Agora, se os que passam são majoritariamente provenientes da parte mais rica de população é por culpa do sistema público, que é de péssima qualidade. Não é o vestibular que é elitista – é o sistema básico que é desigual.
Hoje, cerca de 80% dos alunos da educação básica estão matriculados na rede pública. Não é natural desejar que universidades federais e estaduais atendam também a essa população? A questão primordial é que as cotas não dão conta de incluir toda essa gente. Posso citar alguns números: no estado de São Paulo, menos de 30% dos jovens estão matriculados no ensino superior – há, portanto, pelo menos 70% de excluídos. Dos 30% incluídos, as universidades públicas atendem apenas 15% do total de matriculados, isto é, 4,5% dos jovens – menos de 5%. As cotas não mudam esse cenário porque não criam vagas, elas apenas fazem a redistribuição. Querem criar um programa para incluir mais negros nesse porcentual de 4,5%, mas isso em nada vai alterar o nível crucial de exclusão que temos. Eu sou contra cota racial: ela penaliza outra parte da população que também precisa de estímulos: os brancos pobres.
As cotas são uma falsa ideia de inclusão, então? Exatamente. Mesmo com toda essa propaganda de que a universidade agora está de portas abertas para os alunos da rede pública, 95% da população jovem vai seguir fora da universidade pública. Por isso as cotas são demagógicas. Elas não lidam com o problema, elas criam uma ilusão.
E qual é o verdadeiro problema? No Brasil, existe uma cultura de que ensino superior é sinônimo de universidade. Criou-se esse mito de que todo mundo precisa ser doutor e que curso técnico profissionalizante é algo menor, degradante. O país precisa oferecer cursos diferenciados para populações diferenciadas. Tem gente quem quer aprender sobre as coisas e tem gente que quer aprender a fazer coisas. Temos que oferecer escola para todo mundo, ou você acha que todo mundo precisa estudar física quântica na USP? O Brasil tem que decidir se quer colocar todo mundo na universidade ou se quer criar um ensino superior que ofereça condições para dar à maioria da população a condição para continuar os estudos depois do ensino médio, aprender uma profissão, se inserir no mercado de trabalho e exercer uma cidadania responsável. Mas você vê alguém discutindo isso? Eu não vejo. Só vejo um monte de gente querendo sair bem na foto dizendo que vai colocar mais meia dúzia de estudantes nas universidade federais e estaduais. E achando que com isso vai resolver o problema da educação no Brasil.
Equacionar esses problemas levaria anos. O que fazer pela população pobre, majoritária nas escolas públicas, que está no ensino médio e precisa ser incluída no ensino superior? A solução mais imediatista que vejo é a criação, por parte das universidades públicas, de cursos pré-vestibulares de qualidade para alunos de baixa renda empenhados em ingressar no ensino superior. Alunos das próprias instituições poderiam atuar junto a professores como tutores e, estudantes que almejam ser professores, por exemplo, poderiam fazer estágio nesses cursos. Desde que a universidade chegou ao Brasil, as famílias ricas recorrem a aulas adicionais para garantir que seus filhos tenham o conhecimento necessário para passar no vestibular. Por que não oferecer a mesma oportunidade para os pobres? Esse pré-vestibular permitiria checar quais são as reais dificuldades dos alunos e os métodos mais eficazes para saná-las, pensando em depois replicá-los para a rede pública de educação básica.
O programa do governo estadual prevê que os alunos realizem um curso prévio, de dois anos, antes de ingressar nas universidades, uma espécie de 'college' que garantiria um diploma de nível superior. Isso não seria suficiente? O programa prevê apenas que os que forem selecionados passem pelo curso. Não adianta nada privilegiar meia dúzia de pobres. É preciso oferecer oportunidade de crescimento a muito mais jovens. Pelo sistema que eu proponho, mesmo os jovens que não ingressarão na universidade pública terão a oportunidade de suprir as deficiências que acumularam ao longo da vida escolar. E estarão assim mais preparados para o mercado de trabalho.
Mas a senhora considera que os 'colleges' poderiam ser uma alternativa às universidades no futuro? Eu sou a favor da criação de ‘colleges’. Seria uma proposta revolucionária para o ensino superior brasileiro, mas não pode ser um 'college' emendado a um projeto de cotas para a universidade. Nos Estados Unidos, eles funcionam bem e atendem a mais da metade da população. Mas, no Brasil, o projeto ainda está muito cru. É preciso discuti-lo, saber como seria implantado, sua vigência e avaliação. Do jeito que foi apresentado, me parece apenas a resposta a uma pressão demagógica.
Indicadores internacionais mostram que as universidades públicas paulistas são a elite do ensino superior brasileiro, instituições dedicadas ao ensino e à pesquisa. As cotas podem afetar a qualidade dessas universidades? Eu acredito que sim. Existem algumas pesquisas que apontam o contrário. Elas, em geral, dizem que alunos cotistas têm desempenho inclusive superior aos não cotistas. Isso tem a ver com resiliência, a capacidade do estudante de se adaptar e vencer os obstáculos quando lhe é dada oportunidade. Mas no momento que essas pesquisas foram realizadas, as cotas tinham outra dimensão, incluíam um percentual muito menor de alunos. Agora estamos falando que metade de uma universidade será formada por alunos oriundos de uma escola de má qualidade. Não há como prever o futuro, mas acredito que a qualidade de uma instituição não depende apenas de bons professores, mas também do ingresso de bons alunos.

FONTE:http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/cota-nao-resolve-problema-da-educacao-ela-cria-ilusao

Venezuela: Maduro critica oposição por rumores sobre saúde de Chávez

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participou nesta quinta-feira do ato de juramento do irmão do presidente Hugo Chávez, Adán, reeleito governador do Estado de Barinas. Durante a cerimônia, Maduro criticou duramente a oposição do país pelos “rumores” sobre a saúde do mandatário, que está em Cuba desde o último dia 11, quando se submeteu a uma operação para retirada de tumores de um câncer.
Maduro afirmou que a oposição faz “uma campanha de intrigas, mentiras e rumores” porque “querem cobrir a derrota popular do dia 16 de dezembro”, quando o partido de Chávez venceu em 20 dos 23 Estados do país. “A oposição não teve, até agora, um debate político, eleitoral”, criticou o vice-presidente.

FONTE: JB.COM

Bancários da Argentina realizam greve para pedir aumento salarial

O sindicato dos bancários da Argentina convocou uma greve nesta quinta-feira para reivindicar aumentos salariais, apesar de o Ministério do Trabalho ter ditado ontem uma conciliação obrigatória no conflito.
O líder dos trabalhadores bancários, Sergio Palazzo, informou à imprensa local que a medida de força, convocada ontem perante a suposta "falta de respostas" por parte da patronal na negociação salarial, teve um nível de adesão de 90%.
Palazzo disse que seu sindicato foi à greve apesar da conciliação ditada pelo Ministério do Trabalho pois, alegou, o grêmio foi notificado oficialmente dessa medida apenas no meio-dia de hoje.
Após receber a notificação, o sindicato resolveu desistir de novas paralisações programadas para a próxima semana já que a conciliação obrigatória ditada pelo ministério vale por dez dias úteis.
"Insolitamente a notificação que nos enviaram não fixa data para uma nova reunião de negociação. Parece que o Ministério do Trabalho quer que o conflito continue", afirmou Palazzo, cujo grêmio reivindica um aumento salarial de 35%.

FONTE: FOLHA.COM

25 de dez. de 2012

Tendência conservadora é forte no país, diz Datafolha

A maioria dos brasileiros é tolerante com a homossexualidade, mas é contra a liberação do uso de drogas. A maioria acha que a desigualdade social alimenta a pobreza, mas acredita que a maldade das pessoas é a principal causa da criminalidade.
Esse contraste entre posições liberais e conservadoras é uma marca da sociedade brasileira, de acordo com pesquisa nacional feita pelo Datafolha no último dia 13. Foram realizadas 2.588 entrevistas em 160 municípios.
Inspirado por uma metodologia adotada por institutos de pesquisa estrangeiros, o Datafolha submeteu os entrevistados a uma bateria de perguntas sobre assuntos polêmicos para verificar a inclinação das pessoas por valores liberais e conservadores.
Entre os temas explorados pelo levantamento, a questão que menos divide a sociedade brasileira diz respeito à influência da religião na vida das pessoas. Para 86%, crer em Deus torna as pessoas melhores. Só 13% acham que isso não é necessariamente verdadeiro, afirma o Datafolha.
A questão que mais divide os brasileiros, de acordo com a pesquisa, tem a ver com o papel dos sindicatos. Para 49%, eles são importantes para defender os interesses dos trabalhadores.
Mas 46% acham que eles servem mais para fazer política do que para representar seus filiados.
Para 61% dos entrevistados, parte da pobreza brasileira pode ser explicada pela falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida. Para 37% o problema é a preguiça de pessoas que não querem trabalhar.
A desigualdade é o fator principal na opinião dos mais jovens, e uma explicação menos convincente para os mais velhos. Na região Sul do país, 50% acham que a falta de oportunidades é o problema, e 48% culpam a preguiça.

INTEGRA: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206138-tendencia-conservadora-e-forte-no-pais-diz-datafolha.shtml

Para 76%, há corrupção em obras da Copa, diz Datafolha

A pouco mais de um ano e meio da partida de abertura da Copa, pesquisa Datafolha mostra que 76% dos entrevistados acreditam que há corrupção nas obras do torneio.
Apesar do número elevado de pessoas que afirmam que há desvio de recursos públicos, 90% dizem que consideram o Mundial importante para o país (70% pensam que será muito importante, e 20%, um pouco importante).
A pesquisa Datafolha ouviu 2.588 pessoas em 160 municípios no dia 13 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A percepção de que existe corrupção nas obras da Copa aumenta conforme o grau de escolaridade do pesquisado.
Entre os que possuem o ensino fundamental, 68% acham que está havendo mau uso de dinheiro público.
O percentual sobe para 81% entre os quem têm o ensino médio e para 89% para quem cursou ensino superior.
A ideia de corrupção é menor entre os que têm com renda familiar mais baixa. Na faixa de até dois salários mínimos, o percentual chega a 70%. Sobe para 82% entre os que ganham entre dois e cinco salários e mais oito pontos percentuais no intervalo entre cinco e dez salários.
Na faixa acima de dez salários mínimos, o percentual é pouco menor: 87%.
O número dos que dizem não acreditar em corrupção (9%) é menor dos que responderam não saber (15%).
Para a maioria dos entrevistados (59%), o nível de corrupção nas obras da Copa é igual ao de outras públicas.
Além de ser o maior financiador da Copa, por meio de obras de infraestrutura e empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o governo federal injetará verba diretamente no Mundial.
Já foram compradas cotas de patrocínio nacional, medida que vai na contramão do que o governo sinalizava, de que não haveria injeção de dinheiro público diretamente.
Apesar de a maioria afirmar que acha a Copa importante para o Brasil, apenas 50% se declarou muito interessada pela competição.
Ainda assim, o índice é maior dos que declaram ter muito interesse por futebol (35%). Outros 34% tem um pouco de interesse.
Para 11%, o torneio não será nada importante. O índice é maior entre os mais velhos (acima de 60 anos), com 18%.
Em um outro aspecto de percepção de importância, 43% acreditam que a Copa será pessoalmente muito importante. Esse valor cai gradativamente conforme avança a idade.
Partindo de 46% para o grupo de 16 a 24 anos e chegando a 38% para aqueles com 60 anos ou mais.
Os que consideram a Copa nada importante somam 28%, mesmo percentual dos que acreditam em pouca importância pessoal.

FONTE: FOLHA.COM

23 de dez. de 2012

Marina pode lançar partido em janeiro

Terceira colocada na disputa presidencial de 2010 com 19,6 milhões de votos, Marina Silva baterá o martelo sobre a criação de um novo partido até o final de janeiro. A fundação de uma legenda é a única hipótese aventada por ela no momento para voltar a concorrer ao Planalto na disputa de 2014, segundo aliados que acompanham o processo.
O movimento pela criação da sigla ganhou força com a publicação da última pesquisa Datafolha, no início de dezembro, que coloca Marina em segundo lugar na disputa. No levantamento, ela tem de 13% a 18% das intenções de voto, a depender dos adversários, e só perderia para a presidente Dilma Rousseff e para seu antecessor, Lula.
A criação de uma nova sigla é cogitada por Marina desde julho de 2011, quando ela deixou seu antigo partido, o PV, por desentendimentos com a direção da legenda.
 
A ex-ministra Marina Silva, segundo lugar na pesquisa Datafolha para Presidência em 2014
 
Na disputa municipal de outubro, Marina apoiou candidatos de 11 siglas diferentes, com base no discurso da sustentabilidade global e da formação de uma terceira via política no país.
Recentemente, a ex-ministra do Meio Ambiente intensificou a agenda de encontros e reuniões com o "núcleo duro" de sua campanha de 2010 e com novos apoiadores para discutir a possibilidade de criação de uma legenda.
Ainda em dezembro, procurou congressistas interessados na troca de partido.
Segundo participantes desses encontros, o grupo tenta formular algo que represente uma nova forma de fazer política e não seja encarado como apenas mais um partido político.
CANDIDATURA
Interlocutores afirmam que Marina pretende ter novas conversas antes de decidir se quer concorrer em 2014 e, para isso, iniciar o processo de criação da legenda.
Ela tem dito que ainda quer conversar com sua família sobre encarar mais uma campanha e que ainda precisa avaliar o comprometimento das pessoas que considera essenciais para o novo projeto.
"A partir do que aconteceu em 2010, eu não vejo muita possibilidade de ela não ter participação em 2014. Ninguém entenderia", disse à Folha um dos apoiadores que têm participado dos encontros pela criação do nova legenda.
Segundo os apoiadores de Marina, a decisão final sobre o assunto teria de ser ser tomada até o fim de janeiro --prazo considerado como o limite para que a sigla consiga sair do papel até outubro de 2013.
O prazo de registro da sigla pelo menos um ano antes das eleições é exigido pela Lei Eleitoral para que o partido possa concorrer.
Um dos principais desafios é a exigência da apresentação de uma lista de apoiadores assinada por cerca 500 mil eleitores em todo o país.

FONTE: FOLHA.COM

22 de dez. de 2012

Os desafios de uma revolução permanente em Cuba

A cubana Isabel Monal lembra sua trajetória e analisa o atual processo político e social em seu país
A cubana Isabel Monal - Foto: Douglas Mansur/Novo MovimentoA cubana Isabel Monal – Foto: Douglas Mansur/Novo MovimentoEm meio à chamada ‘atualização’ do modelo cubano, Isabel Monal pode ser considerada uma das vozes mais legítimas para comentar o assunto. Ela participou ativamente da revolução liderada por Fidel Castro e Che Guevara. Dentro do contexto revolucionário cubano, a filósofa marxista chegou a ser presa nos Estados Unidos.
Ao Brasil de Fato, a diretora da revista Marx Ahora fala também sobre sua formação acadêmica e os desafios do socialismo cubano nos dias de hoje. Monal esclarece que em nenhum momento foi proposto um socialismo de mercado (referindo-se às últimas diretrizes aprovadas no 6o. Congresso do Partido Comunista Cubano), mas que, ao mesmo tempo, não se pode ignorar o tal ‘mercado’.
A filósofa defende que nunca houve dúvidas (entre os cubanos) de que a “propriedade social” continua sobre os meios de produção. “Em nenhum momento se propõe liquidar o socialismo, mas atualizá-lo”, destaca.
Brasil de Fato – Conte-nos sobre sua formação e sua história.
Isabel Monal – Meus estudos universitários primeiramente, na área de pedagogia, foram feitos em Cuba, Havana, mas não era o que me interessava. Na Universidad de La Habana entre 1950 e 1954. Então de 1955 a 1956, ganhei uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação em educação no San Francisco State College, Califórnia. Após terminar meu mestrado, no verão de 1956, fui para Universidade de Harvard e me interessei muito pela filosofia. Fiz dois cursos nesse verão. No ano seguinte, voltei a Harvard e frequentei cursos na filosofia e na educação, também no plano teórico, como história das ideias e sociologia da educação.
E a descoberta de Marx?
Assim, nesse período, tive meu primeiro contato com Karl Marx e a teoria de que a história tem uma regularidade e leis. Eu tinha, também, uma sensibilidade sobre os problemas do mundo e dos seres humanos.
Como se deu seu envolvimento com a política?
Nessa época, eu tinha inclinações Apristas (referência a partido peruano APRA – Aliança Popular Revolucionária Americana) e minha família se escandalizava porque tudo isso soava a comunismo, e todos estavam meio assustados com os caminhos que eu estava tomando na vida. O golpe de Estado de [Fulgêncio] Batista, em 1952, teve um impacto tremendo em Cuba, para todos nós, uma vergonha, uma impotência. Isso ficou gravado na minha mente.
Existiam alguns grupos revolucionários?
Sim, naquele momento percebi que Fidel Castro tinha razão, e que somente uma oposição armada levaria à transformação daquela situação. Quando voltei, comecei com minha irmã – mais velha que eu três anos – a procurar contatos com as pessoas de Fidel, e nos incorporamos à luta clandestina, até que nos descobriram. Mas a polícia não nos alcançava. Quando caiu o nosso apartamento, nós já tínhamos abandonado o lugar. Eu e minha irmã já não estávamos lá. Minha irmã foi para Pinar Del Rio, onde foi capturada, eu fiquei em Havana. Depois de um mês fui presa. Pouco depois nos mandaram para os EUA. Lá continuamos nossa militância na Revolução. Lembro-me de um envio de armas que tínhamos que fazer, através de um porto. Eu estava em um carro e minha irmã em outro, mas o companheiro que dirigia o carro em que eu estava bateu – imagine um carro cheio de armas e que bate! Já era final de dezembro e ninguém sabia que Batista já estava caindo. E nós batemos o carro cheio de armas no meio do Estado de Ohio. Fomos presos. Ficamos presos mesmo depois da queda de Batista, o que era ridículo.
O que aconteceu depois disso?
Voltamos logo depois para Cuba. Quando voltei, começou para mim o turbilhão da revolução; primeiro estive na direção provincial do movimento, depois – fazíamos várias coisas ao mesmo tempo-, passei a trabalhar em questões da cultura. A revolução foi se tornando marxista. Passei do ensino de filosofia à pesquisa com um pequeno grupo criado para o estudo do marxismo na Universidad de La Habana. Por um tempo continuei dirigindo o Teatro Nacional, mas depois passei a me dedicar somente à universidade.
Você teve outras atividades?
Em certo momento fui à Alemanha, na antiga RDA, na Universidade de Bonn, e passei a estudar o jovem Marx e o jovem Engels. Nesse momento, os companheiros cubanos estavam tentando nomear um representante na UNESCO e, por uma série de circunstâncias, após várias recusas dos nomes apresentados, as Nações Unidas aceitaram a minha nomeação. Fui então para Paris, onde vivi por 12 anos, trabalhando na UNESCO. Voltei a Cuba em 1992, em um momento muito difícil da revolução. Em meados dos anos de 1990, apresentei o projeto de criação de uma revista e, finalmente em 1996, começou a sair Marx Ahora, e desde então ela sai com muitas dificuldades.
As dificuldades da revista estão relacionadas com a crise, ou você acredita que tenha mudado a relação com o marxismo?
Essencialmente com a crise. Temos dificuldade em manter a qualidade gráfica, o material da capa é caro e a crise traz muitas dificuldades para manter uma revista, é uma batalha contínua.
De que forma o marxismo está presente?
Mesmo tendo havido um retorno do ensino do marxismo na universidade, isso é insuficiente porque o marxismo não está socializado na consciência massiva; fica como uma disciplina, que é bom que haja na universidade, mas não passa daí. Não é que seja preciso falar de marxismo, mas sim usar suas categorias, usar o tipo de análise marxista. Uma das coisas que está presente nesses estudos é o debate sobre imperialismo, que reapareceu no final dos anos 1990.
Como se dá a relação dos intelectuais não marxistas e a cultura revolucionária cubana?
O que é muito importante em Cuba é a defesa da identidade, porque Cuba sempre esteve ameaçada e, às vezes, baseada em ameaças, às vezes nos fatos, por essa invasão ideológica, cultural, dos EUA. Assim, há em Cuba uma cultura da resistência, de resistir à invasão. Eu prefiro dizer ‘cultura da resistência e da luta’, pois me preocupa a ideia de ficar só na resistência. No período após a queda do campo socialista, ‘resistir’ foi fundamental. Em Cuba, diante de suas condições históricas, a independência, o socialismo e a revolução constituem um eixo inseparável: se cai a revolução, os EUA vão tomar a ilha e anexar, de uma maneira ou de outra, e o país como tal vai desaparecer. Por isso há uma sensibilidade em quase toda a intelectualidade cubana, no sentido de defesa da existência do país. Por outro lado, é muito bom que os demais companheiros debatam suas ideias, mesmo não sendo marxistas.
Estudantes na Universidade de Havana - Foto: Wagner T. Cassimiro Aranha/CCEstudantes na Universidade de Havana – Foto: Wagner T. Cassimiro Aranha/CCDe volta às questões nacionais. Em Cuba se discute as possibilidades da via chinesa e da experiência vietnamita. Sentimos uma atração de comunistas cubanos pela experiência do Vietnã. Por que os cubanos não desenvolveram uma discussão sobre o marxismo e a questão nacional?
Eu vejo uma diferença, uma particularidade na história cubana, que foi sempre de afirmação nacional muito forte; todo o processo de independência de Cuba. Nós sempre lutamos contra os impérios: o espanhol, o império estadunidense. Foram relações difíceis, e há uma tradição do que chamo de ‘cubanidade’. Como é que Cuba consegue resistir, principalmente após a queda do Leste Europeu? Então para tentar entender isso eu fui pegar o fio da história e em Cuba se tem uma tradição de afirmação nacional muito forte. Isso está presente no José Martí. O sentimento nacional, de nação, é muito forte em Cuba, levamos muito tempo para nos libertarmos da Espanha, tivemos que lutar quase todo o século 19.
É um processo ímpar de independência.
Sim, não é como todo o resto da América Latina, que tiveram poucos anos de guerra, nós lutamos dez anos e perdemos a guerra. A primeira guerra de independência foi de 1868 a 1878, depois veio a revolução, a guerra de independência organizada por Martí, que quando já estava muito próxima de vencer os espanhóis, sofreu a intervenção dos EUA, que nos roubou, nos tomou a vitória. Então, o país foi se forjando desta maneira, e sem esse sentimento tão forte sem dúvida não estaríamos aqui.
Vamos falar, agora, sobre as mudanças em Cuba.
A necessidade de fazer mudanças é evidente. Essa necessidade de modificação era pedida por absolutamente todos. Claro que nem todos tinham em mente o que deveria ser mudado e como deveria ser feito, e ainda hoje pode ser que isso se dê. A juventude, também, estava pedindo essas mudanças como um eixo normal e natural da dinâmica desta própria sociedade. Mas, além disso, no caso específico de Cuba, me parece obviamente necessário o que chamamos de atualização do modelo cubano.
Como seria esse processo?
Reafirmo que as mudanças devem implicar em uma atualização do modelo. Além disso, há a necessidade de retificação de linhas que se seguiram e que estavam erradas, sendo necessário modificá-las. Por exemplo, a liquidação de quase todo o artesanato, que contém uma cultura de séculos.
E o processo revolucionário?
Um dos problemas que nós revolucionários temos ao longo da história é a impaciência. Estamos cheios de um espírito de maior ou menor impaciência. Isso nos faz atuar, nos impulsiona. Mas essa impaciência faz com que se queira já uma ótima forma de justiça social, qualquer forma de desigualdade incomoda muito. Marx, através da Crítica ao Programa de Gotha, alerta contra isto. Não se liquida tudo da velha sociedade de uma só vez. E nós, levados por essa impaciência de liquidar o velho, quisemos queimar etapas e as consequências se pagam. Algumas das coisas que no exterior se divulga é que estamos rumo ao retrocesso ao capitalismo – e eles dizem retrocesso porque é o que eles querem – mas não estamos em um processo de regresso ao capitalismo de nenhuma maneira. O que não quer dizer, por exemplo, que toda uma série de formas de trabalho que em Cuba chamamos de ‘conta própria’, que já existiam, não possa existir.
Outra questão é o problema da produção pecuária e agrícola que aí se ensaiaram várias fórmulas, mas que também não funcionou. Às vezes nos culpam, e me parece que injustamente, porque tínhamos estas propriedades extensivas, estatais, mas com trabalhadores agrícolas, e que deveriam ter repartido em pedacinhos para dar aos camponeses, como no Vietnã e na China. Mas em Cuba não se pode fazer o mesmo que os outros, porque desde a época da colônia espanhola e depois com o imperialismo dos EUA nunca houve um verdadeiro desenvolvimento do campesinato. Houve campesinato, obviamente, mas o que predominava em Cuba eram as grandes propriedades com modelos agrícolas. É preciso ver, também, que Cuba tem essa herança. Agora estão distribuindo terras e me parece que é uma boa saída, que incrementa a produção, mas levará anos para que vejamos os resultados.
Como estão se dando as reformas?
Muitas dessas mudanças já haviam sido aprovadas e nunca foram implementadas. Talvez por uma característica de nosso povo, de falta de sistematicidade. Mas agora estão sendo encabeçadas por Raúl Castro e os membros do Estado. Não se renuncia em nenhum momento ao planejamento para se deixar chegar a uma sociedade de mercado – para não dizer capitalista. Em nenhum momento foi proposto um socialismo de mercado, mas sim um socialismo que reconheça que, nesta etapa pelo menos, não podemos ignorar o mercado. Mas continua a propriedade social sobre os meios de produção, nunca houve dúvidas sobre isto. Em nenhum momento se propõe liquidar o socialismo, mas atualizá-lo.
Como o socialismo e as mudanças propostas são vistas pela juventude?
Temos um problema muito específico com as novas gerações. Eles não têm – e isso não é uma questão só de Cuba – uma verdadeira compreensão, um verdadeiro interesse no mundo. E esse interesse pelo mundo e essa compreensão do mundo, em primeiro lugar, deve ser uma condição desse homem do socialismo que não pode pensar só nele.
Diante de tudo isso, qual seria a perspectiva de Cuba?
Cuba seguirá socialista e internacionalista, sempre em defesa da humanidade.

Fonte: Brasil de Fato, 09/12/2012

19 de dez. de 2012

Bolívia não terá Coca-Cola e McDonald's a partir de dezembro

O governo da Bolívia anunciou no último fim de semana que a filial da Coca-Cola no país será retirada em 21 de dezembro. No mesmo dia, o McDonald's deixará de operar após 14 anos de tentativas fracassadas de entrar na cultura boliviana.
O chanceler David Choquehuanca afirmou que a decisão "estará em sintonia com o fim do calendário maia e será parte da festa para celebrar o fim do capitalismo e o começo da cultura da vida".
"O 21 de dezembro é o fim do egoísmo, da divisão. Esse dia tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche [suco de pêssego]. Os planetas se alinham depois de 26 mil anos. É o fim do capitalismo e o começo da vida comunitária", disse, em ato com o presidente Evo Morales.
A decisão é argumentada pelo governo pelos males provocados pelo refrigerante à saúde dos consumidores, incluindo associação a infartos, derrames e câncer caso haja consumo diário.
No dia 13, Morales já havia prometido o fim da bebida ao anunciar uma festa em uma ilha no lago Titicaca, na fronteira entre a Bolívia e o Peru, no dia 21 de dezembro, que celebra o fim do calendário maia.
CULTURA
Ao contrário da Coca-Cola, o McDonald's decidiu sair por não conseguir se incorporar aos hábitos alimentares bolivianos, após 14 anos de tentativas. A empresa fechará seus oito restaurantes após ter prejuízos em suas operações em mais de uma década, caso único entre as filiais da rede de lanchonetes.
O país andino ainda conserva a culinária tradicional e dá valor ao rito de preparo da comida, que inclui a compra dos alimentos, a decisão de comer, a convivência durante o preparo, a forma em que se apresentam e a maneira que são servidos.
O prato é avaliado por aspectos como gosto, preparo, higiene e sabor adquirido com tempo de preparação, este último fundamental para o fracasso do McDonald's.

FONTE: FOLHA.COM

Senado aprova regras para primárias para a escolha de candidatos à Presidência

O Senado aprovou hoje a criação de regras para a realização de primárias pelos partidos políticos para a escolha de candidatos à Presidência da República. Uma das principais modificações é de autoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), potencial candidato à Presidência.
Nas eleições de 2010, ele defendeu que o PSDB realizasse primárias internas, o que acabou não acontecendo por pressão do grupo de José Serra, que foi o candidato do partido.
O texto, que agora precisará ser analisado na Câmara, define que as primárias serão realizadas sempre no primeiro domingo de junho do ano da eleição presidencial. A partir de outubro do ano anterior, os pré-candidatos poderão fazer campanha nas ruas normalmente, pedindo votos, sem que isso configure crime eleitoral.
O texto original, proposto pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), previa que as campanhas para as prévias ocorreriam somente a partir de abril do ano eleitoral. Com a emenda de Aécio, o prazo para campanha aumenta em quase seis meses.
O texto aprovado também permite que meios de comunicação promovam debates entre os candidatos dos partidos. Todo o processo deverá ser acompanhado pela Justiça Eleitoral.

FONTE: FOLHA.COM

18 de dez. de 2012

PSOL encontra esquerda anticapitalista grega

No dia 17 de dezembro, em São Paulo, aconteceu o encontro de delegações entre o PSOL e a Syriza- Esquerda radical grega, para discutir iniciativas e projetos comuns. A reunião foi parte do esforço que Syriza faz de ampliar seu leque de relações internacionais, especialmente na América Latina, destino prioritário desta sua agenda. No Brasil, foram marcados encontros institucionais com Partidos, Movimentos, Centrais Sindicais, dentre esses o PSOL.
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Nossa delegação estava composta por membros da Direção Nacional do Partido, encabeçados por Ivan Valente e Luciana Genro- além disso participaram Pedro Fuentes, Juliano Medeiros, Gilberto Maringoni e Thiago Aguiar.
A delegação de Syriza estava liderada por Alexis Tsipras, principal figura do Partido. Destaca-se, para além dos outros membros da delegação, composta ainda por deputados, jornalistas e dirigentes de Syriza, o Secretário de Relações Internacionais, Costantinos Ysichos.
A discussão foi marcada por uma fraterna troca de olhares sobre a realidade mundial e a crise do capitalismo. Os gregos demonstraram interesse na realidade brasileira. O debate caminhou também para organizar eventos e campanhas de solidariedade com o povo grego e sua luta.
A luta de Syriza como força anticapitalista é uma luta estratégica. O PSOL é solidário a essa luta, e vai seguir desenvolvendo atividades – bem como a Fundação Lauro Campos -, que coloquem o internacionalismo como uma tarefa concreta e necessária para enfrentar a mais grave crise do capitalismo neste século.

Seguem abaixo os relatos da companheira Luciana Genro e do companheiro Juliano Medeiros, presentes na reunião:

“O Hotel Braston, em São Paulo, foi o cenário da reunião que tivemos com os líderes da Syriza, ontem. Alexis Tsipras, o principal porta voz da Coalizão da Esquerda Radical – que agora transformou-se em partido – eu já conhecia pois estive em Athenas logo após a primeira eleição deste ano, na qual a Syriza surpreendeu com uma grande votação que acabou forçando outra rodada eleitoral. Esta história todos conhecem. Agora o embate segue na Grécia, pois o governo vem tentando aplicar as medidas exigidas pela Troika, atacando cada vez mais os direitos sociais e o nível de vida do povo grego. Mas a resistência tem sido muito grande. Na reunião de ontem, Tsipras e outros líderes da Syriza nos contaram que a probabilidade do governo cair em breve não pode ser SONY DSCdescartada, e que se isto ocorrer a Syriza terá ainda maiores chances de vitória em um novo embate eleitoral. A visita deles ao Brasil teve o objetivo de buscar apoio político e institucional para este embate, e para um futuro governo da Syriza.
Por sorte todos eles falam inglês, então pude me comunicar com maior facilidade, sem necessitar da intermediação de um tradutor. Fiz questão de dizer a eles que desde que retornei da Grécia me tornei uma grande propagandista da Syriza, pois o exemplo deles é uma inspiração para a esquerda em todo o mundo, e particularmente para nós do PSOL. Eles são a prova viva de que é possível travar uma disputa real pelo poder sem capitular e sem ceder às pressões da burguesia e do imperialismo. Também disse que estamos dispostos a fazer uma grande campanha de apoio à Syriza, pois a solidariedade internacional à luta dos trabalhadores é um dos pontos mais importantes do programa do PSOL.
Eles fizeram muitas perguntas sobre o Brasil e nos convidaram para ir à Grécia novamente. Para o PSOL esta relação com a Syriza é fundamental. A postura combativa e irredutível frente ao governo, seja ele dos “socialistas” do PSOK ou da direita tradicional, é um modelo de construção partidária. A Syriza adquiriu a extraordinária força política que tem hoje porque se construiu nas grandes mobilizações contra o governo e aproveitou cada embate eleitoral para denunciar o governo, a Troika e suas medidas de ajuste contra o povo.”

“(…)A delegação do PSOL é pequena, formada por meia dúzia de dirigentes, entre eles, o Deputado Federal e Presidente Nacional do partido, Ivan Valente, e a Ex-Deputada Federal, Luciana Genro.

A delegação grega é composta de dirigentes partidários e lideranças parlamentares. Entre eles, o representante do Syriza no Parlamento Europeu, e claro, Alexis Tsipras. Seus trinta e quatro anos chamam a atenção entre os demais dirigentes (todos de cabelos brancos). Mas não só isso. Quando a reunião se instala, Alexis é o porta-voz do Syriza. Fala em grego dos problemas de seu país. Reafirma o caráter mundial da crise capitalista e destaca que a Grécia, tristemente, foi tão somente o país escolhido como laboratório das medidas de ajuste fiscal impostas pela Troika formada pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia. Explica que a solidariedade das esquerdas em todo o mundo não deve ser endereçada ao Syriza, mas ao povo grego que tem tomado as ruas e resistido às investidas contra seus direitos. Tsipras fala com segurança e serenidade. Qualidades indispensáveis para um líder que leva consigo a responsabilidade de defender uma saída alternativa àquelas sustentadas tanto pela direita clássica quanto pela socialdemocracia. Alexis, apesar da juventude, sabe que enfrentar a crise na Grécia não significa enfrentar apenas credores internacionais, os bancos ou os organismos multilaterais: enfrentar a crise e viabilizar uma saída que não se subordine aos ditames do capital financeiro, significa enfrentar o fundamento central de todo o sistema econômico que gerou a crise, afirmando, peremptório, que there is not alternative. Enfim, significa enfrentar o próprio capitalismo e seus ideólogos na Europa e em todo o mundo.

SONY DSCA Grécia é cenário tanto das mais radicais medidas de destruição do Estado de bem-estar social, quanto da mais ferrenha resistência popular aos planos de ajuste fiscal. As consequências da crise alcançaram níveis dramáticos. A falência dos serviços de saúde fez ressurgir doenças extintas no país há décadas, como a malária. Num hospital público de Atenas, uma mãe que recém deu a luz é informada que só poderá levar consigo seu bebê caso pague a conta da maternidade. Do contrário, a criança ficará “retida” até que o débito seja quitado. Um aposentado se suicida na frente do parlamento grego com um tiro na cabeça, após gritar “Não queria deixar dívidas para meus filhos!”. Dramas como esses ocupam diariamente as páginas dos jornais gregos e demonstram a profundidade dos problemas enfrentados pelo país.
Curiosamente, esses problemas se agravaram desde que o governo grego assinou o primeiro memorando com os organismos da Troika visando “salvar” o país da crise. Entre as medidas tomadas pelo governo da Grécia como contrapartida aos empréstimos concedidos, estão a redução dos salários dos funcionários públicos, a limitação do valor do 13º (num valor máximo de 500 euros) inclusive para os aposentados, corte de 7% dos salários dos trabalhadores da iniciativa privada, aumento de impostos, alterações das leis laborais para facilitar as demissões e reduzir o pagamento de horas-extras, introdução de um mecanismo para aumentar a idade para a aposentadoria, privatizações generalizadas e redução dos municípios, de 1000 para apenas 400.
Uma das consequências dessa situação é o surgimento de centenas de sem-teto em Atenas. O que poderia parecer banal para um país pobre da América Latina chama a atenção mesmo para um dos países economicamente menos desenvolvidos da Europa Ocidental: mais de 11% dos sem-teto gregos têm um diploma universitário e 23,5% têm o secundário completo. Segundo informações de agências de notícias, são distribuídas 250 mil refeições em toda a Grécia semanalmente e nas escolas há alunos que desmaiam de fome. Essa é a realidade de um país que vê seu já frágil sistema de proteção social sendo pouco a pouco destruído.
Evidentemente, a resistência existe. As organizações populares estão mais fortes do que nunca e o crescimento da simpatia pelo Syriza, uma coalizão jovem como seu principal líder, mostra que a insatisfação começa a dar lugar a saídas políticas coletivas. Mas não é apenas a esquerda que se fortalece. Tsipras nos fala do perigo representado pela extrema-direita, organizada na Aurora Dourada de Nikoláos Michaloliákos. Seu semblante toma uma expressão grave. De força marginal, os fascistas passaram a ter influência no parlamento e até na composição do governo, um risco grave para um país que ainda guarda na memória os tempos da ocupação nazista.
Falando da Grécia, Alexis dá o tom da gravidade da situação. Mas ele também se interessa pela situação do Brasil. Alimenta muita simpatia pelo PSOL e por toda a solidariedade que temos expressado nos últimos anos, seja com a visita de militantes, seja com o envio de manifestações formais de apoio. Mesmo assim, a realidade brasileira ainda é complexa para os gregos. Conforme dissertamos sobre o caráter conservador da política econômica dos governos Lula e Dilma, sobretudo no tratamento dispensado ao problema da dívida pública, mais eles demonstram interesse em compreender a contradição entre essa política face às ações sociais dos governos petistas, tão badaladas na Europa. O programa Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida chamam a atenção e geram um rico debate. A coalizão que sustenta o governo Dilma e a recente condenação de dirigentes petistas de alta patente também são objeto de interesse das lideranças gregas. Alexis ouve com atenção, sabe que se chegar ao governo, terá de conhecer a realidade dos países emergentes, e sabe como poucos e da forma mais objetiva, o quanto política e economia estão vinculadas.
O encontro dura cerca de uma hora, embora pareça ter levado não mais que alguns poucos minutos. A troca de informações é profícua e só alimenta uma mútua disposição de aprofundar os laços entre PSOL e Syriza. Com certeza, Alexis e seus companheiros não encontrarão no Brasil organização mais parecida com eles próprios. Levarão daqui a certeza de ter encontrar muitos partidos dispostos a prestar solidariedade, mas poucos realmente identificados com saídas alternativas à perversa lógica do mercado. Com certeza, o Brasil não será o mesmo aos olhos do Syriza após este encontro.”

FONTE: PSOL NACIONAL

16 de dez. de 2012

PT

O Partido dos Trabalhadores que não trabalham


Imagem: facebook.com


Normalmente sou contra comentar política, mas li recentemente no jornal da cidade onde moro uma notícia que chamou minha atenção e acrescentou mais decepção e indignação na minha percepção sobre o Partido dos Trabalhadores. A reportagem, que está no primeiro link ao final desta postagem, mostra que dos candidatos à prefeitura de Juiz de Fora, a candidata do PT foi a única a gastar acima do que arrecadou (arrecadou 1,49 milhão e gastou 4,8 milhões). Gastou mais do que o dobro do dinheiro que tinha disponível. A dívida será assumida pelo PT, que tem os cofres de Brasília à disposição para pagar as contas dos candidatos derrotados. A mesma reportagem afirma que os candidatos dos outros partidos que concorreram à prefeitura de Juiz de Fora fizeram o óbvio e gastaram menos do que arrecadaram, não arrumando dívidas para serem administradas por seus partidos. A reportagem mostra que em Minas Gerais o PT teve candidatos concorrendo nas 10 cidades com maiores eleitorados e que, em 7 de 10 cidades, os candidatos do PT gastaram mais dinheiro do que tinham disponível e ficaram devendo. Acredito que também nesses casos o partido vai assumir a conta da falta de noção e competência para gastar dinheiro em campanhas políticas.



Me vieram à mente dois questionamentos:

1 - Se os candidatos do PT não conseguem administrar bem nem o dinheiro de seus pequenos comitês eleitorais, o que não farão com os cofres das prefeituras quando assumem.

2 - O PT só é contra gasto de dinheiro quando está na oposição? Quando está à frente do governo, não mede despesas para se manter no poder, gastando tudo o que tem e o que não tem. O PT não era o partido dos trabalhadores pobres para o povo? Onde foram parar as críticas dos candidatos petistas que escutei durante anos nas campanhas (quando o PT era um pequeno partido sem recursos e de oposição) que o dinheiro de campanhas políticas seria melhor gasto pelos políticos da situação em melhorias para hospitais e escolas, e que as ideias e não a propaganda é que deveriam decidir votações?

É a mesma dinâmica do Lula que criticava Fernando Henrique Cardoso por viajar muito e fazer turismo internacional com dinheiro público, mas quando este trabalhador que parou de trabalhar por falta do dedo mínimo da mão direita (algo que inquestionavelmente não incapacita uma pessoa para o trabalho!) foi eleito, não só fez um número maior de viagens para o exterior do que Fernando Henrique, como seu governo ainda comprou um novo avião presidencial, mais caro e luxuoso, para fazer suas viagens à custa do Imposto de Renda e ficar contando suas piadinhas desnecessárias em encontros internacionais, onde não fez acordos vantajosos para o país.


Imagem: uhull.com.br


Acompanhei e apoiei por anos a trajetória do PT como um partido político com propostas e características populares, e me sinto decepcionado e traído pelo modo com os petistas corromperam seus ideais e, consequentemente, tornaram-se corruptos.

Na primeira vez que o Lula se candidatou à presidência da República em 2002, votei nele porque acreditava que seria um governante de perfil popular e, mesmo que cometesse erros, ao menos seriam erros diferentes.

Além do despreparo para governar (que eu já esperava) fiquei decepcionado com a hipocrisia e inércia de Lula e do PT. Por décadas os petistas lutaram para chegar ao poder e, quando finalmente conseguiram, se especializaram em fazer de tudo para manter-se nele, acendendo uma vela para Deus e outra para o Diabo, tentando agradar a todos para garantir reeleições. Entre provas de corrupção e ineficiência, alguns partidários com mais caráter e coerência abandonaram o PT ou foram expulsos do partido. Com o início das mordomias terminou o tempo das ideologias! A nova luta do PT é para garantir governos no maior número possível de estados e municípios, apoiado por uma horda de fanáticos cegos, que não admitem ou justificam os mais notórios e comprovados casos de traição aos ideais populares da origem do partido, subornos, desvios de dinheiro e incompetência.



Imagem: juniao.com.br

No primeiro governo do Lula, ele teve um enorme apoio popular e do Congresso, provavelmente o maior que um presidente do Brasil já pôde contar. Naquele momento pareceu-me que praticamente todos estavam encantados e favoráveis a mudanças e às propostas do PT. Lula e o PT tiveram a oportunidade, mas não a vontade! Nada propuseram ou fizeram, preferindo nada fazer para não desagradar ninguém e conquistar aliados políticos. O Brasil perdeu uma oportunidade singular de mudar para melhor, resolvendo ou diminuindo velhos problemas que até hoje continuam sem solução. Lula continuou a fazer o que mais fez na vida: falou muito e trabalhou pouco! Entre discursos e piadinhas quase diárias, não sobrou tempo para reuniões sérias, traçar estratégias e acompanhar resultados para resolver problemas nacionais.

O presidente "pop star" do PT, entre suas muitas e confortáveis viagens pelo exterior, quase sempre acompanhado de numerosa e desnecessária assessoria (pagos pelos cofres públicos), para encontros improdutivos e declarações às vezes vergonhosamente ignorantes e superficiais, permitiu, com muita simpatia e justificativas inconsistentes, que o país amargasse calotes dos vizinhos bolivianos, equatorianos e paraguaios, administrando o Brasil como quem gerencia um pequeno boteco próprio. Como nação perdemos dinheiro, contratos, patrimônio e importância política internacional por conta da atitude passiva e despreparada do PT.
A cada reportagem com provas de corrupção e incompetência em seus governos, Lula se limitava sempre a declarar que não sabia de nada, como se ter um presidente incompetente fosse menos prejudicial ao país do que ter um presidente desonesto. A lógica pueril e limitada do Lula que recebeu diversas homenagens e diplomas de universidades pelos resultados “superiores” de suas ações e teorias parece ser a de que se não souber de nada, ele não pode ser responsabilizado e não precisa tomar nenhuma atitude que possa gerar inimizades que dificultem sua perpetuação e a do PT no poder. Se Lula não foi desonesto, foi conivente com a desonestidade do PT durante seu governo. É bom e desejável um chefe que não percebe as deficiências daquilo que está sob sua responsabilidade e, quando é informado sobre elas, protela ao máximo as atitudes para corrigi-las?


Imagem: diogosalles.com.br

PT : Partido dos Traidores

Alguns partidos têm origem e propostas não bem definidas. Não é o caso do PT, que surgiu como um partido popular que defendia melhorias para os trabalhadores e pobres. Na minha opinião, por este motivo, fica mais evidente a traição às suas propostas iniciais, pois quando chegaram ao poder, os petistas passaram a fazer o que sempre criticaram e pior na falta de criatividade e inteligência usam as mesmas justificativas que desaprovavam em seus antigos adversários.

Foram diversas as ocasiões em que Lula hipocritamente afirmou não conhecer algumas pessoas envolvidas em desvio de dinheiro, fraudes em contratos e outras ações desonestas, mesmo quando a imprensa mostrava o óbvio da mentira com fotos e cópias de documentos que confirmavam o contato entre ele e as pessoas que afirmava não conhecer. O Lula que afirmou publicamente por diversas vezes sobre a falta de caráter de certos políticos e práticas, quando eleito presidente da República, em seu primeiro mandato os abraçou com moderada simpatia e no segundo mandato já defendeu as pessoas e ações que tanto criticava, sem memória e pudores.

Imagem: welbi.blogspot.com

Se as ditaduras de direita causam repúdio aos petistas, as mortes e torturas causadas pelos ditadores de esquerda como Fidel Castro e Hugo Chávez não têm problemas, uma vez que Lula realizou visitas a ambos, repletas de abraços e trocas de gentilezas, inclusive com declarado apoio político em certas ocasiões. Em 2011 o PT tentou aprovar lei que diminuía a liberdade de imprensa, que insistentemente denunciava corrupção, desvio de dinheiro e tráfico de influência nos governos do presidente Lula. A demagogia ficou acima da democracia na legenda do PT!


Imagem: condominiodeideias.blogspot.com


Se o alienado acadêmico Fernando Henrique Cardoso prejudicou a educação brasileira ao inviabilizar a reprovação de alunos ineficientes ou desinteressados para manter boas estatísticas com a ONU, o pseudotrabalhador Lula prejudicou o trabalho instituindo todo tipo de “bolsa coitadinho” e “bolsa vagabundagem” para garantir público eleitoral. Entre comprovados casos de corrupção e incompetência na destinação e controle do dinheiro dessas bolsas, não foram poucas as empregadas domésticas (e imagino outras categorias) que vi pedindo demissão porque, feitas as contas, compensava mais ficar desempregada às custas da classe média e rica que financiavam bolsa escola, bolsa gás e bolsa energia elétrica. É o Partido dos Trabalhadores incentivando ao não trabalho (sustentado pelo governo), talvez inspirado na “carreira profissional” de sua estrela maior: Lula.

O PT transmite uma clara ideia: não é necessário trabalhar, basta votar em nós e te sustentaremos! De forma proposital ou equivocada a política do PT para os pobres através de suas bolsas é a de concessão de esmolas, não dignidade. Cria um pacto de dependência e inércia entre população e governo. Outros partidos podem querer não sustentar quem não quer trabalhar (e educar), então mantenha-se o PT no poder, numa clara ideologia das necessidades pessoais acima dos benefícios coletivos. Política com “P” maiúsculo é a ação para atender interesses coletivos com resultados duradouros! Quando acabarem todas essas bolsas, qual será a mudança na vida daqueles que dependem delas e as perspectivas desses beneficiados a médio e longo prazo? Muitos realmente não se importam de passar toda a vida com o título eleitoral em uma das mãos enquanto a outra está estendida aguardando a melhor oferta!


Imagem: blogs.estadao.com.br

Dilma Roussef parece ser uma pessoa coerente entre seu discurso e prática, focada e empenhada em atingir os objetivos a que se propõe, mas isso não muda o fato de que o PT precisa de uma grande reforma em sua ideologia, prática e atuais integrantes para fazer uma política popular e não populista, como faz atualmente, com a troca de "favores ao povo" pelo apoio à estrela do PT.
Os fatos falam mais alto do que a demagogia: o PT se tornou o partido dos trabalhadores que não querem trabalhar, dos intelectuais que não conseguem atualizar suas ideias e dos pobres que querem gastar mais do que tem.

Texto: Sylvio Bazote
 


 
 
 
 
                                                                                                                                                                                            

13 de dez. de 2012

Carta de Cobija

Esta é a Carta de Cobija, aprovada na Plenária Final do VI FSPA, realizada na cidade de mesmo nome, na Amazonia Boliviana na tríplice fronteira entre Bolívia (Departamento de Pando) Brasil (Acre) e Peru (Madre de Dios). Realizado entre os dias 28 de novembro e 1 de dezembro deste ano, o Fórum teve 1.500 participantes de 78 organizações (48 bolivianas e 30 de outros países) de 12 países (sendo seis da Panamazonia – Bolívia, Peru, Brasil , Venezuela, Equador e Colombia).
Além da carta, foi lançada também a Declaração da Aliança Panamazonica dos Rios e um manifesto em solidariedade à Palestina, que foi lido no Ato de Abertura.
VI Fórum Social Pan Amazônico – Marcha dos Povos, Cobija, Bolívia.


Carta de Cobija
VI Fórum Social Pan-Amazônico
Somos o povo de todos os povos. Somos os homens da selva e as mulheres da chuva, somos a Pan-Amazônia, o coração do planeta.
Em nossas terras e rios se desenvolvem uma batalha decisiva para os destinos da Humanidade. De um lado, as corporações transnacionais, o agronegócio e as grandes empresas de mineração que promovem a destruição de nossas florestas e nossas águas em nome de um progresso que beneficia tão somente os donos do capital. De outro, estamos nós, indígenas, camponeses e camponesas, quilombolas, trabalhadores e trabalhadoras dos campos, da mata e das cidades, lutando por nossos territórios, pelos direitos da Mãe-Terra, por nossas culturas, por nossos direitos de viver bem, em harmonia com a natureza.
O preço da destruição sistemática da natureza é uma crise ambiental sem precedentes, cujos primeiros sinais estão no derretimento das geleiras dos Andes, a diminuição dos níveis e contaminação dos rios, riachos e igarapés, as secas e enchentes na Amazônia causadas pela mineração descontrolada, pela exploração petroleira na selva e pelo agronegócio. Tal situação é agravada pelos mega-projetos, como a construção de hidrelétricas de grande envergadura nos rios amazônicos, a privatização das florestas e grandes obras de infraestrutura que são desenvolvidas sem consulta aos povos que há séculos vivem nestas regiões.
Reafirmamos mais uma vez que para deter este ciclo de morte é necessário defender nossos territórios, exigindo o imediato reconhecimento e homologação das terras indígenas, titulação coletiva das terras quilombolas e comunidades tradicionais, bem como o pleno direito de consulta livre, bem informada e consentimento prévio para projetos com impacto social e ambiental. Defendemos consultas realmente democráticas e com efeito vinculante para evitar fraudes e falsas consultas, como ocorridas no passado recente com os indígenas brasileiros, durante a construção das hidrelétricas de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte.
A Mãe-Terra não é um produto, não pode ser vendida nem mercantilizada. Por isso rechaçamos o capitalismo verde que só agrava a crise social e ambiental, seguindo a mesma lógica de busca desenfreada pelo crescimento econômico, concentração da riqueza e do poder, bem como apropriação dos bens comuns. A chamada economia verde quer fazer da crise climática um grande negócio, deixando intocado o modo de produção, que associado ao patriarcado e ao racismo, esta levando o planeta e sua população ao esgotamento e a degradação. Somos contra o pagamento por serviços ambientais, a mercantilização e financeirização da natureza, também denunciamos a flexibilização das leis ambientais com objetivo de favorecer as grandes empresas.
Defendemos e construímos a aliança entre os povos da floresta, dos campos e das cidades. Fazem parte do nosso patrimônio comum a luta dos camponeses e camponesas pela terra, os direitos dos pequenos agricultores e das pequenas agricultoras, assistência técnica, crédito barato e simplificado, e as justas demandas por saúde, educação, transporte e moradia digna para todos.
Lutamos por uma sociedade sem exclusão, com liberdade, justiça e soberania popular. Combatemos no dia a dia todas as formas de exploração e discriminação baseadas em gênero, etnia, identidade sexual e classe social. Particularmente, nos esforçaremos para superar a invisibilidade da população afrodescendente em suas lutas e propostas sobre poder, autonomia e território.
Ao mesmo tempo que avança a ofensiva do grande capital sobre a Amazônia, também se multiplicam os esforços da resistência dos povos. A nível mundial, a Cúpula dos Povos, realizada no Rio de Janeiro, em junho/julho de 2012, representou um extraordinário avanço na unidade de todos que sonham e lutam por um outro mundo. No território Amazônico surgiram as alianças dos rios, unindo diversos povos na luta contra as hidrelétricas, também tomaram impulso os movimentos contra a exploração mineral em terras indígenas e contra a construção de obras de infraestrutura sem o necessário consentimento prévio. Nos Andes ganha impulso o combate contra os danos provocados pela mineração a céu aberto.
Faz parte da nossa luta contra o modelo colonial de exploração, exigir medidas que protejam as comunidades tradicionais da biopirataria, preservem valorizem e desenvolvam seus saberes e conhecimentos ancestrais. Da mesma maneira, lutamos pela construção de cidades justas, democráticas e sustentáveis, adequadas às diferentes realidades de cada região, contemplando a diversidade dos atores sociais que vivem nessas cidades. Pelos mesmos motivos também defendemos a soberania alimentar, a economia familiar, o extrativismo comunitário e a agroecologia. Destacamos a importância estratégica da luta pela democratização dos meios de comunicação, inseparável da prática da liberdade de expressão, que é vital para estabelecermos os diálogos entre os distintos povos da Amazônia e do mundo.
Neste sentido, afirmamos nosso apoio a Carta da Terra e a Declaração de Cochabamba. Suas palavras continuarão guiando nossos passos.
Na Pan-Amazônia, como em toda a América Latina, enfrentamos o militarismo que atua como mediador entre o colonialismo e o imperialismo. Condenamos as tentativas de criminalização dos movimentos sociais, da pobreza e dos povos indígenas. Repudiamos o colonialismo francês na Guiana e apoiamos os esforços dos seus povos para alcançarem a independência. Saudamos o começo das negociações de paz na Colômbia e esperamos que seus resultados sejam uma paz com igualdade e justiça social. Da mesma maneira, protestamos contra as barragens que tentam impedir a livre circulação entre os povos de nossos países, defendemos os direitos dos migrantes e de todos aqueles que buscam outras terras para tentar uma vida livre e digna. Queremos um mundo sem fronteiras. Um mundo onde o estado garanta a proteção dos patrimônios sociais e naturais. Um mundo onde caibam todos os mundos.
Neste VI Fórum Social Pan-Amazônico queremos especialmente saudar a resistência Palestina – nossos irmão e irmãs do deserto – e dizer que seguiremos com nosso apoio a sua luta por uma pátria livre e independente. Também homenageamos nossos irmão e irmãs mártires que derramaram seu sangue nos massacres de Bagua e Pando, e a todos os indígenas atingidos pela violência dos exploradores.
Aqui em Cobija, terra amazônica da Bolívia, tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Bolívia, sob a proteção da seringa e da castanha, símbolos da Amazônia boliviana, lançamos nosso chamado: pela unidade dos povos amazônicos para transformar o mundo.
Cobija, 01 de dezembro de 2012

FONTE: FUNDAÇÃO LAURO CAMPOS

11 de dez. de 2012

Professores discutem Lei 100

Devido à apreensão dos professores da rede estadual em decorrência da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com o objetivo de suspender a Lei Complementar 100/07, a seção local do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) reuniu a categoria para prestar esclarecimentos.
O encontro ocorreu na tarde desta terça-feira (11), com o objetivo de também evitar divergências entre servidores concursados e os efetivados após a vigência da lei. No último dia 2, a Tribuna veiculou matéria expondo a preocupação dos profissionais com os possíveis impactos da Adin, que será julgada no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a presidente do Sind-UTE, Victória Mello, o sindicato "está a favor do trabalhador e do concurso público e vai defender até o fim a manutenção dos direitos adquiridos".
A Lei 100, como é chamada pela categoria, foi proposta pelo Governo estadual para minimizar a dívida previdenciária. "O Governo recolhia a contribuição dos trabalhadores designados (sem vínculo por concurso público) diretamente para o Ipsemg (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais), quando deveria repassar à Previdência Social", explicou durante a reunião o professor André Nogueira, que também é diretor do Sind-UTE.
Para solucionar o impasse, o Estado efetivou 98 mil servidores não concursados em 2007. Caso a lei seja considerada inconstitucional pelo STF, trabalhadores de 14 cargos do sistema de ensino, que vão desde professores a serventes, podem ser desligados ou perderem os benefícios. "Sabemos que há um impasse jurídico que precisa ser resolvido, mas queremos unir a categoria para pressionar nossos representantes estaduais a não prejudicarem os trabalhadores. Essas pessoas não têm culpa de não terem sido nomeadas na época de seus concursos e de, mesmo assim, terem sido efetivadas", reforçou André.

FONTE: TRIBUNA.COM

9 de dez. de 2012

EM JUIZ DE FORA: Manobra impede votação na Câmara

Pronto para ser votado em segunda discussão, o projeto de lei estabelecendo o fim do pagamento de reuniões extraordinárias e de 14º e 15º salários aos vereadores vai entrar na última semana de trabalho do atual período legislativo sem perspectiva de votação. Isso porque, desde a última quarta-feira, uma série de pedidos de vista da Lei Orçamentária Anual (LOA) impede a entrada de outra matéria na pauta. Caso a manobra persista até sexta-feira, a proposta dos vereadores José Sóter Figueirôa (PMDB), Noraldino Júnior (PSC) e Wanderson Castelar (PT) dando fim aos penduricalhos deve ser apreciada apenas na próxima legislatura. Se isso acontecer, há entendimento de que a mudança aprovada comece a vigorar apenas a partir de 2017. Já fizeram pedidos de vista da LOA os vereadores Antônio Martins (Tico-Tico, PP) e Luiz Carlos Santos (PTC). Os dois não conseguiram se reeleger.
A polêmica envolvendo o pagamento por reuniões extraordinárias até o limite de R$ 4.104,38 e de "ajuda de custo", pela qual cada parlamentar recebe 14º e 15º salários, cada um no valor de R$ 10.260,95, se arrasta na Câmara Municipal há alguns meses. A proposta, que a princípio extinguia as regalias apenas a partir de 2013, já foi "emendada" uma vez para acabar com os benefícios de forma imediata. No entanto, o substitutivo apresentado em junho, seis meses depois de a matéria começar a tramitar, postergou em mais cinco meses sua votação, uma vez que ela teve que retornar às comissões técnicas. Há dez dias, o texto foi aprovado em primeira discussão, mas acabou sendo alvo de manobras nas votações seguintes, permanecendo com futuro incerto.

Auxílio-paletó
Na última quinta-feira, a Assembleia de Minas aprovou o fim do pagamento anual do chamado auxílio-paletó aos parlamentares. Até então, eles recebiam R$ 40.084,70, equivalentes ao 14º e 15º salários, pagos em fevereiro e dezembro. A economia a cada mandato será de R$ 9.259.565,70. A extinção do benefício foi garantida por meio de uma emenda de plenário ao Projeto de Lei 3.329, que reajusta em 4,44% o salário dos servidores da Assembleia Legislativa. A discussão em torno do benefício foi motivada pelo Congresso Nacional, que também discute o fim dos benefícios para deputados federais e senadores. Um projeto de decreto legislativo nesse sentido foi aprovado em maio no plenário do Senado e agora tramita na Câmara dos Deputados. Se for aprovado pelos parlamentares, o auxílio-paletó acabará em todo o país.

FONTE: TRIBUNA DE MINAS.COM

Indústria da China tem em novembro maior crescimento em oito meses

O crescimento da produção industrial chinesa e as vendas no varejo registram em novembro o seu melhor período em oito meses, enquanto a inflação subiu após o menor índice em 33 meses, em mais um sinal de que a economia do país está acabando com a possibilidade de uma queda prolongada.
Dados da Agência Nacional de Estatísticas da China mostraram que a produção industrial superou as previsões de crescimento de novembro e cresceu 10,1% em relação ao ano passado, a melhor performance desde março.
O crescimento anual nas vendas do varejo também surpreendeu, saltando 14,9% em novembro, enquanto os investimentos em ativos fixos cresceram 20,7% nos primeiros 11 meses do ano, um pouco abaixo das previsões.
Especialistas dizem que os dados divulgados neste domingo mostram que a China está desfrutando de uma invejável mistura de inflação benigna e retomada do crescimento econômico, que permite que Pequim mantenha suas políticas monetária e fiscal, ou mude para uma postura mais fácil se necessária.
"A economia chinesa está agora em um momento doce e pode ficar assim durante o primeiro semestre de 2013", disse Ting Lu, economista do Bank of America-Merrill Lynch. "Pequim ficará feliz em sustentar a atual postura política."
INFLAÇÃO
Os dados sobre a atividade industrial foram divulgados após um relatório sobre a inflação ter mostrado, neste domingo, que os preços aos consumidores da China subiram 2% em novembro, em relação a um ano atrás - abaixo da previsão de 2,1% - com o aumento do preço dos vegetais.
Mas economistas disseram que a subida da inflação, depois de seu ponto mais baixo em quase três anos, não preocupa, especialmente por estar bem abaixo do centro da meta do governo, de 4 por cento ao ano.
"Esperamos que a inflação aos consumidores não tenha grande retomada até o primeiro trimestre do próximo ano", afirmou Jiang Chao, analista da Guotai Junan Securities, em Xangai.
"Portanto, o banco central pode manter sua postura política atual e vemos pouca chance de mais afrouxamentos até o fim do ano."

FONTE: FOLHA.COM