31 de jan de 2013

Reação a Renan cresce, mas senador abafa crise interna

No dia em que a resistência pública à sua candidatura ganhou força, Renan Calheiros (PMDB-AL) conseguiu controlar uma das principais ameaças internas para sua volta ao comando do Senado.
O alagoano patrocinou acordo entre os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), que disputavam nos bastidores o cargo de líder da bancada do PMDB no Senado.
O grupo de Renan temia que o racha provocasse a divisão do partido e o lançamento de outro nome do PMDB para disputar a presidência da Casa na eleição marcada para amanhã.
Eunício ganhou a liderança, onde deve permanecer até 2015. Jucá aceitou ser indicado para a segunda vice-presidência do Senado.
Renan renunciou ao comando do Senado em 2007 após uma série de acusações de irregularidades, mas conseguiu pavimentar nos bastidores a sua volta e é o favorito para a disputa, contando com o apoio do Palácio do Planalto, da maioria dos partidos governistas, além de algumas siglas da oposição.
A ampla solidez da candidatura, entretanto, tem sofrido abalos nos últimos dias. Ontem foi a vez de o PSB anunciar que não apoiará Renan, decisão que contou com o aval do presidente nacional da sigla, o governador Eduardo Campos (PE).
Campos é um dos nomes cotados para disputar a Presidência da República em 2014.
Hoje a bancada do PSDB deve formalizar decisão no mesmo sentido.
Líder dos tucanos, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o partido não pode defender o retorno de Renan pois isso traria de volta "o desgaste à instituição". PSB e PSDB têm 14 cadeiras.
 
Antes, o grupo de senadores que se diz independente, como Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT), também já tinha se colocado publicamente contra Renan.
Mesmo assim, o alagoano segue favorito. Seu grupo calcula que terá entre 53 e 68 votos dos 81 senadores. Se vencer, Renan comandará a Casa com orçamento previsto de quase R$ 5 bilhões neste ano.
MANIFESTAÇÃO
Ontem cerca de 20 integrantes da ONG Rio de Paz -- que também iniciou um protesto via internet (leia texto nesta página)-- fizeram manifestação no gramado do Congresso contra a candidatura do peemedebista, que chamam de "ficha suja".
Portando vassouras verdes e amarelas, eles tentaram "lavar" a rampa do Congresso com água e sabão, mas foram impedidos por seguranças.
Os manifestantes lembraram as suspeitas de irregularidade que recaem sobre Renan. Em 2007, reportagens apontaram que lobista de uma construtora pagava despesas pessoais do senador, o que detonou a crise que culminaria na saída do alagoano da presidência da Casa.
Esse mesmo caso baseou uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra ele.
Nos últimos dias, a Folha mostrou que o senador usou o cargo para fazer lobby por aliados no governo. Entre os casos, houve pedido para que a Comissão de Anistia priorizasse a análise de processos de aliados.

FONTE: FOLHA.COM

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