25 de jul de 2010

Repórter da Folha conta calvário de tentar doar dinheiro para as campanhas.

Imaginei que fazer uma reportagem sobre doações para as campanhas fosse tarefa fácil. Doar para as principais candidaturas e contar como foi o processo? Moleza, pensei. Mas pensei errado.
Logo de cara percebi que as campanhas não estão preparadas para receber pequenas doações de pessoas físicas. O efeito Barack Obama não chegou ao Brasil.
O caso mais emblemático é o do PT, mas todas parecem mais preocupadas com as grandes cifras. Não por acaso a pergunta que mais ouvi nos partidos foi: "O senhor é de alguma empresa?".
Para começar, embora essa modalidade seja permitida por lei, os sites não trazem um mecanismo de doação pela internet.
Tampouco oferecem um canal efetivo para comunicação. Telefone não há, e os links tipo "contato" pedem que seja enviado um e-mail. Enviei no começo da semana para todas as campanhas e, até agora, nada.
O passo seguinte foi procurar o diretório estadual de cada partido.

CAMINHO

Comecei com o PT. A pessoa que me atendeu ao telefone não foi muito estimulante: "Olha, senhor, é... Por lei, por lei é capaz que não possa doar, hein? É sério".
Argumentei que podia, sim, e tive êxito. Consegui o telefone do "PT nacional em São Paulo", onde deveria falar "com o jurídico".
O contato foi mais frutífero: fui informado (pelo setor de finanças) de que ainda estavam "montando tudo" na internet e obtive o telefone do escritório em Brasília.
Fiz a ligação e consegui o último contato: a campanha da Dilma. Após explicar (de novo) que a doação era particular e de ser transferido de uma pessoa para outra, finalmente dizem: "Deixa seu telefone que a gente entra em contato". Não entraram.
A campanha de Marina foi mais ágil, mas levou ao mesmo fim: à promessa de que eles entrarão em contato para explicar como, afinal, se pode doar para a candidata.
Quando liguei para o diretório estadual do PV, a pessoa que atendeu gritou (com o telefone afastado da boca): "É o Uirá querendo doar para a Marina". Logo outra pessoa atende, pergunta meu nome e pede meus contatos para mandar as informações.
Expliquei que precisava de pressa, pois viajaria na semana seguinte. De fato, entraram em contato para perguntar nome, endereço, CPF, mas o e-mail com as instruções, esse eu não recebi.
No fim das contas, a única doação que consegui fazer (de R$ 20) foi para a campanha de José Serra (PSDB).
Telefonei para o diretório estadual, depois para o comitê da campanha em São Paulo e, quatro horas depois, recebi o e-mail (enviado de endereço pessoal, não institucional) com as instruções.
Eram restritivas, é verdade (só aceitam "contribuições em cheque nominal à campanha ou transferência eletrônica identificada"), mas, pelo menos, deu certo.

UIRÁ MACHADO
FOLHA DE SÃO PAULO

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