7 de set de 2012

Pesquisas: PT pode ser coadjuvante nas 10 principais capitais

A pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira em Recife demonstrou a queda da última candidatura petista que liderava as pesquisas de intenção de votos nas 10 capitais com os maiores eleitorados do país, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador Humberto Costa, que virou candidato depois de um racha dentro do PT e do rompimento da aliança com o PSB, foi ultrapassado por Geraldo Julio (PSB), candidato indicado pelo governador Eduardo Campos. Dono de uma ampla aliança e do maior tempo de TV em Recife, Julio vive uma arrancada surpreendente. Após dois meses de campanha, o socialista saiu de 16% para a liderança, com 33% das intenções de voto - oito pontos percentuais de vantagem sobre Costa, que aparece com 25% do total, de acordo com a pesquisa Ibope divulgada no dia 03 de setembro.Entre essas 10 cidades, o PT possui candidatos próprios em sete - São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife e Porto Alegre - e governa duas, Fortaleza e Recife. Coincidentemente, a escolha dos atuais candidatos nas duas capitais do Nordeste foram tumultuadas e culminaram no rompimento da aliança com o PSB, que optou por indicar candidaturas próprias em ambas as cidades. No Ceará, o PT governa há oito anos com a atual prefeita Luizianne Lins (PT), que escolheu Elmano de Freitas, seu secretário municipal de Educação, como candidato da legenda. Como o PSB, do governador Cid Gomes, preferia uma chapa encabeçada por outro petista, o atual secretário de Cidades do Estado, Camilo Santana (PT), a aliança com o PT foi rompida e o partido então optou por lançar Roberto Cláudio (PSB) em uma chapa separada de seu antigo aliado.Com o racha, ambas as candidaturas se enfraqueceram e, de acordo com a última pesquisa Vox Populi divulgada no dia 29 de agosto, Freitas e Cláudio aparecem na segunda e terceira colocação, respectivamente, com 13% e 12% do total de intenções de voto, enquanto Moroni Torgan (DEM) lidera com folga, com 26% do total. "O desempenho do candidato petista é reflexo também da grande rejeição à prefeita Luizianne Lins", afirma o cientista político Paulo Kramer.
Racha interno
No Recife, após conflito interno durante as prévias do PT, que por semanas ocupou os jornais e os tribunais, os dois pré-candidatos cotados para a disputa, o deputado federal Maurício Rands e o atual prefeito da cidade João da Costa, foram substituídos pelo senador Humberto Costa, convocado pela executiva nacional como solução para o impasse jurídico criado durante o processo interno do partido na capital pernambucana.
A confusão petista motivou o PSB, do governador Eduardo Campos, a também romper a aliança com o PT, a exemplo de Fortaleza, e lançar Geraldo Julio como seu candidato. Em outra capital do Nordeste, o PT também não apresenta bom desempenho. Em Salvador, o deputado federal Nelson Pelegrino tem 16% das intenções de voto, e ocupa a segunda colocação, a 24 pontos percentuais do primeiro colocado, ACM Neto (DEM), que tem 40%, de acordo com pesquisa Ibope divulgada no dia 24 de agosto. Os votos somados pelo petista são menores do que os brancos e nulos, por exemplo, que representam 19% do total.
 Rompimento
Em Belo Horizonte, outro conflito entre PT e PSB colocou em choque as legendas, que também eram parceiras na cidade e dividiam o governo da capital mineira ao lado do
PSDB, do senador Aécio Neves. Como o PSB, do atual prefeito Marcio Lacerda, optou por não se coligar também na chapa de vereadores com o PT, sob articulações de Aécio, os petistas optaram por romper a peculiar aliança e lançar candidatura própria. O escolhido foi o ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus Ananias.Apesar de estar em trajetória ascendente nas pesquisas, Patrus ainda está distante de Lacerda, que, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 29 de agosto, tem 46% do total de intenções de votos, contra 30% do petista, uma diferença de 16 pontos percentuais.
A força de Lula
Em São Paulo, apesar do processo de escolha da candidatura petista não ter causado nenhum rompimento com
partidos aliados, a nomeação do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, escolhido pelo ex-presidente Lula, como o concorrente petista na cidade culminou na insatisfação da senadora Marta Suplicy, que desejava concorrer ao cargo nesta eleição. No início da campanha, conturbada também pela saída da deputada federal Luiza Erundina (PSB) da vice da chapa após o PT firmar aliança com o PP, de Paulo Maluf, Marta não esteve ao lado de Haddad, ainda pouco conhecido do eleitorado. Somente na última semana a senadora acertou sua entrada na campanha do petista. Apesar de mostrar crescimento nas pesquisas, Haddad ainda está na terceira colocação, com 16% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada nessa terça-feira. Baseado na margem de erro da pesquisa, de três pontos, o petista está tecnicamente empatado com o segundo colocado, José Serra (PSDB), que tem 21% do total de votos. Apesar da trajetória descendente do tucano, Haddad ainda estaria fora de um possível segundo turno.
Sem consenso
Em Porto Alegre, a escolha entre o candidato petista ficou dividida entre Raul Pont e Adão Villaverde, que acabou sendo escolhido como o concorrente do partido.
A escolha do candidato do partido evidenciou a falta de um consenso em torno de um nome, o que motivou parte da legenda a querer apoiar a candidata Manuela D'Ávila (PCdoB). O PT, porém, optou por lançar candidatura própria, e até o momento está distante do foco da disputa, polarizado entre Manuela e o atual prefeito da cidade, José Fortunati (PDT). Villaverde aparece na terceira posição, mas possui apenas 5% das intenções de voto, e está a 30 pontos percentuais do segundo colocado, Fortunati, que possui 35%, e está tecnicamente empatado na primeira colocação com Manuela, que tem 37%, de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada no último sábado. No maior colégio eleitoral do norte do Brasil, Belém, os números divulgados pelas pesquisas também não mostram a candidatura petista em boas condições. Alfredo Costa (PT) tem apenas 3% do total de votos, de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada no último sábado, e é o quinto colocado na disputa, liderada por Edmilson Rodrigues (Psol), que tem 47%. Nas outras três cidades, o PT apoia apenas uma das chapas vitoriosas. No Rio de Janeiro, o atual prefeito, Eduardo Paes, que tem 53% das intenções de voto, lidera com folga a disputa. Em Manaus, porém, onde apoia o PCdoB, de Vanessa Grazziotin, e Curitiba, onde apoia Gustavo Fruet (PDT), o PT ocupa a segunda e a terceira posição nas pesquisas de intenções de votos, respectivamente.Enquanto na capital amazonense Vanessa tem 19% e está a 10 pontos percentuais de Arthur Virgílio (PSDB), com 29% das intenções - de acordo com a pesquisa Ibope do dia 16 de agosto - no Paraná, Fruet está em terceiro lugar, com 15% do total, a 13 pontos percentuais de Ratinho Jr. (PSC), que lidera a disputa com 28%, e a 12 do atual prefeito Luciano Ducci (PSB), que possui 27% do total, de acordo com a última pesquisa Vox Populi divulgada na segunda-feira.
Vitrines
O PT, que por três mandatos seguidos governa o Brasil, tem com o ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff dois grandes puxadores de votos, devido à boa avaliação que ambas as gestões possuem, próxima de 80%.
Porém, os principais puxadores de votos do partido não tiveram participação tão forte na campanha até o momento. Enquanto Dilma optou por não participar ativamente nas eleições municipais, principalmente em cidades em que haja disputa entre candidatos petistas e de outros partidos da base, Lula se recupera do tratamento do câncer na laringe, diagnosticado em outubro de 2011.Por conta disso, o ex-presidente, tido como um dos principais puxadores de voto do País, tem apenas gravado depoimentos e tirado fotos com candidatos, e não tem ido às ruas, onde era esperado, principalmente em São Paulo. Com sua melhora, a expectativa é de que participe mais ativamente das campanhas petistas em todo o Brasil. A volta do presidente é uma das esperanças do PT para reverter o quadro e conseguir conquistar a prefeitura dessas cidades, tidas como prioritárias. Segundo Kramer, com o mau resultado nas capitais, o partido pode perder municípios que servem como vitrines importantes para mostrar seus principais nomes em cada estado e também programas de governo, o que pode inclusive afetar o desempenho na eleição de 2014, por exemplo. Para o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, Marcus Ianoni, porém, o quadro não pode ser considerado ruim, já que o PT aparece quase sempre na segunda colocação nas pesquisas e possui chance de ir para o segundo turno nesses locais. "O PT cresceu em relação às eleições de 2004 e me parece que, com a boa avaliação que o governo Dilma está tendo, o momento é propício para o PT se fortalecer ainda mais", disse. Para Ianoni, apesar da importância de se conquistar cidades maiores, aumentar o número de prefeituras no país pode amenizar a perda de grandes centros. Segundo o cientista político, além de pensar em eleger prefeitos, os partidos precisam focar seus esforços também em cionquistar cargos nas Câmaras de todos os municípios, como forma de dar base de governabilidade aos prefeitos eleitos. "Nessas eleições está em jogo também a eleição dos vereadores. Um prefeito sem base na Câmara de Vereadores terá dificuldade", afirmou.
 Reunião
A executiva nacional do partido fará uma reunião por volta do meio de setembro para discutir o cenário nas principais cidades brasileiras e traçar as estratégias que orientarão as campanhas até a reta final, o dia 07 de outubro, data marcada
para o primeiro turno das eleições deste ano.

FONTE: JB.COM

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